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Unegro entra na Justiça contra a falta de atrizes e atores negros em novela da Globo

Giovanna Antonelli, as crianças Rafaela Brasil e Thales de Miranda e Emílio Dantas formam uma família da novela (Foto: Divulgação)

A União de Negros pela Igualdade (Unegro) entrou com uma Ação Civil Pública nesta quinta-feira (10) contra a Rede Globo por causa da ausência de atrizes e atores negros na novela “Segundo Sol”, que estreia nesta segunda-feira (14), às 21h.

Como a novela se passa em Salvador e quase não tem negras e negros, “a acão da Unegro é plenamente justificada”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a capital baiana tem quase 3 milhões de habitantes, sendo a cidade com maior número de negras e negros do país.

Para Custódio, essa é uma manifestação do racismo e da tentativa de branquear a sociedade brasileira. “Essa novela estreia um dia após o Brasil completar 130 anos da Abolição dos Escravos, dessa Abolição inconclusa porque não contemplou os direitos dos seres humanos escravizados e a emissora age com esse descaso à nossa formação social, étnica e cultural”.

Ângela Guimarães, presidenta da Unegro, afirma que essa ação foi movida para que a maioria da população brasileira seja respeitada. Trecho da ação ajuizada diz que “a prática racista fere a toda uma população, haja vista que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad-IBGE), a população brasileira estimada no ano passado, 2017, era de 205 milhões e 500 mil habitantes, sendo que os negros representam hoje a maioria”. A população brasileira conta com 55% de negros e pardos.

“Se para implementar essas obrigações for necessária a readequação do roteiro, que sejam adotadas as medidas pela emissora”. Custódio concorda com ela. “A televisão acaba por não refletir a maioria da população brasileira para vender a imagem que somos um país de maioria branca, escamoteando a realidade”, afirma Custódio.

Fruto, argumenta, da mentalidade escravista que ainda predomina na sociedade brasileira. Por isso, “é fundamental refletir sobre o que representam os 130 anos da Abolição e como a mentalidade escravocrata impede a nação de reconhecer a rica herança de origem africana em nossa formação em todos os níveis”.

A sindicalista explica que “essa negação é desumana e joga para fora do país, um Brasil inexistente que parece habitar o imaginário da nossa elite econômica, que se envergonha do que somos”.

Por isso, diz Custódio, “o que a Unegro promove é mais uma forma de luta, inteligível e mobilizadora no aspecto da defesa de nossa história e do resgate da identidade e da alma das brasileiras e brasileiros”.

A Ação Civil Pública é de número 8003021-97.2018.8.05.0001 e tramita na 2ª Vara Especial da Fazenda Pública, em Salvador. 

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações do Portal Vermelho

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