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Sindicalistas viajam de longe em busca da eficiência e consolidação da luta da classe trabalhadora no 1º Conselho

Não importa a distância, nem se na hora de sair de casa caia o maior temporal, dois mil, três mil até três mil e oitocentos quilômetros de distancia até Atibaia, cidade que recebeu centenas de sindicalistas no segundo dia do 1º Conselho Nacional da CTB.

Cada um com sua história de luta, suas experiências em busca do reconhecimento e da valorização do trabalho. De norte a sul, na cidade e no campo, cada sindicalista deixa um pouco sua família para buscar informação e levar mais conhecimento para fortalecer os trabalhadores das mais diversas categorias.

 

 

O fim do fator previdenciário que é uma das principais bandeiras da CTB, a redução da jornada de trabalho, o fortalecimento da agricultura familiar, a reforma agrária que caminha vagarosamente desde o fim da lei que colocou um fim na escravidão, a demora de uma decisão do governo retarda a reforma agrária causando o conflito agrário que acaba gerando a violência no campo, são os temas principais dos debates no Conselho Nacional da CTB.

 

José Gonçalves, presidente do sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Patos e região, que representa 21 cidades, e tem mais de cinco mil trabalhadores em sua base, representando professores, servidores da saúde, de agentes comunitários de saúde, motoristas, enfim todas as categorias de trabalhadores do funcionalismo público desta região.

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Gonçalves é presidente da CTB-PB, mora em Patos, no semi-árido da Paraíba, que fica a 300 km da capital, João Pessoa. Até chegar ao aeroporto levou cinco horas, debaixo de muita chuva, e depois mais cinco horas de vôo totalizando 12 horas até chegar ao local do 1º Encontro Nacional da CTB. Gonçalves declarou que para buscar mais força e informações para as categorias que representa todo esforço é compensado.

“A CTB tem também uma base muito forte no Porto dos Cabideiros, pois temos todos os sindicatos da categoria dos portuários. E a CTB cresce muito no interior da Paraíba, e cada vez mais cresce o número de sindicatos rurais filiados a CTB-PB”, diz Gonçalves.

Gaúcha em Roraima

Presidente Estadual da CTB-RR, a gaúcha radicada em Roraima há cinco anos, Genira Bertol, mora em um assentamento de terra e produz diversos tipos de lavoura, fica muito revoltada quando vai para a cidade, e como costuma dizer, recebe olhares do canto do olho de algumas pessoas, “Eles ainda acham que nós somos os jecas-tatus”. Líder dos trabalhadores rurais na sua região, Genira reage dizendo que eles “olham para a gente assim com desprezo, e se esquecem que nós produzimos 75% do alimento que está na mesa deles”.

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Por ser moradora de um assentamento, a presidente da CTB-RR diz que a situação mudou de uns tempos para cá, trabalha com pequenas cooperativas de produção de agricultores familiares. Sempre priorizando o trabalho solidário entre os produtores cooperados, acredita que os produtores do campo estão cada vez mais respeitados. “Hoje os agricultores familiares são muito respeitados e com a nossa luta e nossas conquistas procuramos cada vez mais aumentar a produção rural que o agronegócio não produz”, completa Genira Bertol.

Lideranças femininas

Sandra Maria, Secretária de Política Agrícola da Fetagri – Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul, que trabalha com 75 mil agricultores familiares e mais de 200 mil assalariados rurais, com atuação nas grandes causas da classe trabalhadora no campo, como a questão da previdência social, o direito e igualdade das mulheres, enfim a Federação atua em todos os segmentos em favor da classe trabalhadora rural, assalariados e da agricultura familiar.

“A Fetagri-MS é hoje uma das maiores entidade sindical do estado e hoje estamos aqui hoje em nome dos trabalhadores do Mato Grosso nesse Encontro Nacional para analisarmos a  conjuntura atual, para seguir os novos rumos do movimento sindical do país”, diz Sandra Maria

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A secretária de política agrária da Fetagri-MS, ainda completou: “A nossa principal proposta para esse encontro é que se faça uma conjuntura geral leve o clamor governo, o fortalecimento de fato da agricultura familiar, porque sem a reforma agrária não vamos consolidar a agricultura familiar nesse país”.

De olhar compenetrado e voz firme, Maria do Socorro Nascimento, presidente do Sindicato Rural do Maranhão, e Coordenadora da secretária do Meio Ambiente da CTB, deposita suas esperanças na juventude, para criar novas lideranças no meio sindical do campo.

No Maranhão tem 217 municípios e temos 214 sindicatos filiados e ainda mais de 4 mil trabalhadores na base, e precisamos renovar o quadro de nossas lideranças. A disputa nos fóruns de discussão e debates em favor dos trabalhadores. “Hoje no Maranhão temos muitos posseiros, causando um acumulo de ações na justiça o que acaba prejudicando a legalização dos assentados”.

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Maria do Socorro destaca ainda como uma das conquistas dos trabalhadores, “os grandes mutirões realizados pelo Ministério da Previdência, beneficiando muitos trabalhadores do campo”.

Participação maciça

O segundo dia de trabalho do 1º Conselho Nacional da CTB foi marcado pela riqueza nas intervenções feita por 80 dos delegados presentes ao evento. Ao longo da programação, os cetebistas apresentaram propostas de emendas ao texto-base preparado pela Direção Nacional, cuja redação final será aprovada pelo plenário neste domingo.

“Mais do que a presença de todos os delegados e delegadas aqui, o que marca este segundo dia de debates é a riqueza de cada uma das intervenções realizadas”, destacou o secretário-geral da CTB, Pascoal Carneiro.

Celso Jardim – Portal CTB

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