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Sergipanas ocupam as ruas de Aracaju contra as reformas da previdência e trabalhista

Mais de 400 mulheres e homens do campo e da cidade se uniram em Aracaju, na manhã desta quarta-feira (8), para comemorar o Dia Internacional da Mulher, dizer não ao fim da aposentadoria e exigir a saída de Temer da presidência. Eles participaram de uma aula pública, no auditório do Sindicato dos Bancários de Sergipe (Seeb-SE) e, em seguida, saíram em caminhada pelas principais ruas do Centro comercial da capital sergipana em direção à Praça General Valadão, onde um ato público e uma grande roda de ciranda encerraram a manifestação organizada pela União Brasileira de Mulheres (UBM), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Sergipe (CTB-SE), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetase) e União da Juventude Socialista (UJS).

O auditório do Sindicato dos Bancários ficou lotado durante a aula pública. Na ocasião, a advogada da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SE, Valdilene Martins, defendeu o respeito às mulheres, o fim da invisibilidade e fez um alerta. “Cuidado com a sobrecarga de trabalho que vem disfarçada de elogios de que as mulheres são umas guerreiras porque dão conta dos filhos, do trabalho e dos afazeres domésticos. Nós não somos burros de carga. Por trás dessas supermulheres, tem uma brutal má divisão de atribuições”, enfatizou.

O advogado Thiago D’Ávila Fernandes condenou a reforma da Previdência e assegurou que ela é nefasta para todos, mas, principalmente, para as mulheres e, especialmente, as que trabalham no campo. Segundo ele, não se pode oferecer tratamento jurídico igual quando se vive numa sociedade desigual. “Hoje, no Brasil, as mulheres já trabalham 73 dias a mais que o homem em um ano. Ao longo de 35 anos, elas trabalham sete anos a mais. E o governo ainda diz desconhecer essa dupla jornada de trabalho”, critica.

Fernandes ressaltou ainda que a Constituição Federal estabelece que devem ser assegurados aos cidadãos bem-estar e justiça social e isso só é possível com o sistema de seguridade que garanta a todos saúde, educação e previdência social. Maria Aíres Nascimento, da Fetase, salientou que as trabalhadoras e os trabalhadores rurais são contrários à reforma da Previdência, e não aceitam o aumento da idade para a aposentadoria, a contribuição individual, a desvinculação da pensão da aposentadoria e o desmonte da LOAS. “A Previdência é nossa e ninguém tira ela da roça. Não recuaremos um passo. Fica aposentadoria e sai Temer”, conclamou.

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O presidente da CTB-SE, Edival Góes, defendeu uma maior participação feminina política e nos partidos. “As mulheres tem uma melhor formação, estão mais preparadas e precisam ocupar cargos de poder, inclusive no Congresso, nas Assembleias e nas Câmaras de Vereadores”, disse. Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB Nacional e presidenta do Seeb-SE, criticou o projeto de reforma trabalhista e disse que o objetivo é enfraquecer os sindicatos.

Ela criticou ainda a cultura do estupro e o aumento da violência contra a mulher, e lembrou que, apesar de tudo, as mulheres têm o que comemorar, a exemplo da Lei Maria da Penha. “Esse é momento de irmos para as ruas, de reconhecer que uma vida sem violência é um direito nosso”, afirmou.

E foi cantando o refrão de uma música das mulheres camponesas – “Pra mudar a sociedade do jeito que a gente quer, é participando sem medo de ser mulher” – que homens e mulheres deixaram o sindicato e iniciaram a caminhada. Durante o percurso, os manifestantes gritavam palavras de ordem como Fora, Temer. Já na Praça General Valadão, as trabalhadoras e os trabalhadores encerraram o ato com uma roda de ciranda assumindo o compromisso de voltarem às ruas no dia 15 de março contra as reformas do governo Temer.

Niúra Belfort – CTB-SE

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