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Dirigente da CTB-SP comenta o desastre ambiental no Golfo do México

A plataforma Deepwater Horizon que explodiu em 20 de abril, no Golfo do México, próximo à costa de Louisiana, nos Estados Unidos está sendo a protagonista de um dos maiores acidentes ambientais da história da humanidade.

O desastre que aconteceu há quase um mês, está lançando, por dia, cerca de 5 mil barris de petróleo no mar.

Atento aos acontecimentos mundiais que contribuem para acelerar a degradação do ecossistema do planeta, o Secretário de Meio Ambiente CTB-SP, Paulo Ribeiro Gady, comenta o fato do vazamento.

Leia o texto na íntegra.

 

Golfo do México: uma mancha no império

Destaca-se no noticiário já há algumas semanas o desastre ambiental causado pela explosão e naufrágio da Deepwater Horizon, plataforma petrolífera da British Petroleum (BP), que explora jazida na Costa Sul dos Estados Unidos, no Golfo do México. São 800.000 (oitocentos Mil) litros de óleo lançados diariamente no mar e que se espalha rapidamente rumo a outras regiões que não só a costa americana, mas também ilhas do Caribe como Cuba, por exemplo, com potencial impactante imensurável.

Nas notícias, já há todo tipo de motivos apontados como possíveis falhas que geraram a explosão na plataforma e questionamentos quanto às soluções para o estanque imediato do óleo que jorra das profundezas. Existem, inclusive, ilações mal intencionadas de que a causa do desastre é de origem humana. Ou seja, já tem quem diga que a culpa é de um dos onze trabalhadores que acabaram sendo pulverizados na explosão. É sempre assim, quando se questiona a competência de um grupo tão poderoso como a BP: “a culpa é da vítima”.

Porém, mais do que duvidar da capacidade técnica das empresas petrolíferas em explorar em águas profundas, o que se pode entrever na tragédia é, por um lado, o questionamento da própria matriz energética norte americana toda baseada em combustíveis fósseis e sua queima, que necessita cada vez de mais reservas para manter sua sociedade essencialmente consumista e supérflua que explora de forma irresponsável os recursos naturais. E que, mesmo assim, é vendida como a sociedade ideal onde o mercado comanda o soberano.

Por outro lado, há uma desconfiança quanto a essa “nova face do império”, muito bem encenada por Barack Obama que, com um discurso ambientalista, tenta impor o protagonismo americano na política ambiental mundial com vistas a manter a hegemonia dos EUA, arvorando-se de grande salvador do planeta.

Tanto os altos índices de redução das emissões de GEE tão alardeados pelo Governo de Obama quanto a tal lei do clima e energia que se encontra no Congresso nada mais são que um ajuste para dar respaldo a essa suposta “guinada verde”. Puro exercício de retórica, sem solução de continuidade, pelo menos dentro de suas fronteiras.

É o centro do Capital empenhado em manter fora do debate àquilo que é o cerne da questão: o próprio Sistema Capitalista, seu padrão de produção e consumo. Preservando de qualquer respingo “oleoso” a exploração privada dos recursos naturais e essa necessidade ostensiva de lucro como agentes da destruição ambiental.

O que jorra daquele poço é a hipocrisia densa da farsa norte americana que desde a década de 50, do século passado, tem protagonizado acidentes desse tipo sem, no entanto fazer, efetivamente, nada que os evitasse no futuro.

O que jorra daquele poço é a mentira da auto regulação do mercado e a vitória da sociedade de consumo que com sua necessidade de exploração cada vez maior dos recursos naturais, aí incluído o petróleo, levaram a humanidade à beira do abismo.

O que jorra daquele poço é a certeza da necessidade de transformação social com respeito ao desenvolvimento soberano das nações com responsabilidade ambiental e mudança nos padrões de produção e consumo. Pois quanto à mancha aumenta e impacta ecossistemas, economias e pessoas muda vidas e destrói biodiversidade, fica cada vez mais evidente essa necessidade.

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Paulo Ribeiro Gady
Coletivo Nacional de Defesa do Meio Ambiente CTB
Secretário de Meio Ambiente CTB-SP

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