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Ato em defesa da democracia reúne cem mil pessoas nos Arcos da Lapa, no Rio

A Fundição Progresso e a Lapa foram palco de uma noite histórica. Mais de cem mil pessoas lotaram os dois espaços para mais um grito em defesa da democracia e contra o golpismo orquestrado pelos setores mais conservadores da nossa sociedade. A CTB-RJ esteve presente, junto com artistas, movimentos sociais, partidos que defendem a legalidade e a democracia, além de centenas de milhares de cidadãos que demonstraram a força do povo carioca na luta contra o golpismo e contra o conservadorismo.

Entre os presentes estiveram Wagner Moura, Simone Spoladore, Leonardo Boff, Otto, Ziraldo, Alceu Valença, Beth Carvalho, que gravou um samba contra o impeachment, Fernando Morais, Gregório Duvivier, Letícia Sabatella, Rico Dalasam, Tico Santa Cruz, Nelson Sargento, Eric Nepomuceno, Luiz Carlos Barreto, Gregório Duvivier, Jards Macalé, Aderbal Freire Filho, entre outros representantes da cultura popular brasileira.

Ainda na Fundição Progresso, coube ao escritor Eric Nepomuceno a leitura de um belo manifesto em defesa da democracia e contra o golpe. Nepomuceno disse que o texto recebeu o apoio de Caetano Veloso, que ainda não havia se manifestado sobre o momento político do país e afirmou categoricamente que “o que vivemos no Brasil é uma clara ameaça a algo conquistado a duras penas: a democracia”.

O ator Antônio Pitanga seguiu a mesma linha e fez um apanhado histórico das ameaças que a vontade soberana do povo brasileiro foi ameaçada. Pitanga disse que viveu “esse movimento com Getúlio Vargas, com Jango. Hoje não tem cadáver, não tem crime jurídico. É um movimento orquestrado pelos meios de comunicação, pelos institutos de pesquisa, pelos empresários que ganharam muito dinheiro com o governo Lula e agora estão nos enfiando uma faca nas costas”, afirmou o ator.

O ator Wagner Moura demonstrou que não são apenas os eleitores de Dilma e Lula que estão na luta pela democracia. Em suas palavras: “Nunca votei em Dilma Rousseff. Votei em Marina Silva, mas estou aqui porque mais de 54 milhões de brasileiros votaram, e eles têm que ser respeitados. Sem ódio, vamos mostrar que os artistas brasileiros não aceitam o golpe”. A linha foi seguida pelo humorista Gregório Duvivier, do portal Porta dos Fundos, que cobrou uma guinada à esquerda do governo afirmando que “queremos que a Dilma fique, mas também que ela melhore. Que o governo melhore e que ela governe para a esquerda, em nome do projeto para o qual foi eleita”.

O momento mais esperado da noite, no entanto, foi a fala do ex-presidente Lula, que inflamou a multidão para a batalha política que se segue. O ex-presidente foi taxativo em classificar o impeachment como golpe e afirmou que os políticos à frente do processo deveriam mirar seu próprio exemplo, já que foi derrotado em várias eleições, dizendo “quem quer tirar, Dilma? Temer, Eduardo Cunha, Geddel, Henrique Eduardo Alves, Padilha, Wellington Moreira Franco, que governou esse estado? Essa gente deveria olhar minha vida e perceber que perdi em 1982, em 1989, em 1994, em 1998, e vocês nunca me viram reclamar, dizer que mandato de alguém é ilegal. Ela tomou posse há um ano e quatro meses e eles não deixam a Dilma governar. Para os nossos amigos que querem dar o golpe: aprendam com o Lula. O Lula aprendeu a esperar. ”

Um dos últimos a falar no ato, Leonardo Boff, entoou a força da democracia, dizendo “A democracia tem a natureza da flor, ela é frágil, como disse Wagner Moura, mas ela tem a força, a força de sua beleza, a força de seu perfume. Essa democracia está sendo ameaçada agora, especialmente por aqueles que estão atualizando a casa grande, que são esses que sempre dominaram o nosso país”.

Por José Roberto Medeiros, da CTB-RJ

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