Sem categoria

Reunião da direção nacional da CTB começa em clima de mobilização geral contra o golpe

Um debate sobre a conjuntura política e econômica abriu nesta quarta-feira (16), na sede do Dieese, em São Paulo, a 15ª reunião da direção nacional da CTB, com a presença de dirigentes da CTB nacional e das estaduais e conduzido pelo secretário geral, Wagner Gomes. 

O tema que prevaleceu no encontro, como não poderia deixar de ser, foi o enfrentamento da crise política e da agenda conservadora que tenta impor o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e abrir caminho para mais reformas ultraliberais, com retirada de direitos sociais e trabalhistas.

O professor e economista Eduardo Fagnani, da Unicamp, defendeu que a recessão que se vive hoje no país é “funcional”, encomendada, e atende aos interesses do capital financeiro. Ele citou um artigo do economista Alexandre Schwartsman na Folha de SP em que o articulista, identificado com o pensamento neoliberal, afirmava que não era possível “ter inflação no centro da meta com pleno emprego”.

Para Fagnani, trata-se de mais uma tentativa do sistema financeiro (nacional e internacional) de aprofundar o projeto ultraliberal privatizante que ganhou força nos anos 1990, na gestão de FHC, e depois pressionou o governo Lula, em meados dos anos 2000.

“O que está acontecendo no Brasil, e é uma ofensiva bastante forte, é uma tentativa de criminalização das políticas que distribuem renda”, diz Fagnani, referindo-se aos projetos dos governos de esquerda em geral.

Ricardo Alemão Abreu (PCdoB) lembrou que a presidenta Dilma enfrentou o capital financeiro ao reduzir a taxa de juros a 7,5% há dois anos. “Naquele momento ela acatou os interesses dos trabalhadores e confrontou o interesse de quem manda no mundo e no Brasil que é o sistema financeiro, aliado à mídia monopolista e ao aparato judicial”, disse.

“A bandeira da nação hoje está nas mãos dos trabalhadores. O campo reacionário vem criando ambiente para o golpe. É hora de se unir em defesa da democracia e contra o golpe. Depois de vencer esta tentativa de impeachment, temos de lutar por mudança na política econômica”, afirmou. O deputado Vicente Selistre, do PSB-RS, também destacou a importância da pressão popular. “O poder econômico sequestrou o sistema eleitoral brasileiro. O debate sobre o Brasil será feito nas ruas”, disse.

Vilson Luiz, presidente da Fetaemg e secretário de finanças da CTB, ponderou que esta compreensão da crise política em curso não chega às bases e que é preciso encontrar maneiras de informar os grupos sociais, alcançar um número maior de trabalhadores. “Se não levarmos isto para as bases, vamos estar aqui falando apenas para nós mesmos”.

O dirigente José Gonçalves, da Paraíba, destacou a importância de se defender o governo Dilma Rousseff acima de quaisquer divergências políticas. “O momento é de não tergiversar, não vacilar. A questão central é não deixar o Brasil ser derrotado por esta elite. Vamos priorizar um movimento amplo e sem sectarismos”. 

Adilson Araújo, presidente da CTB, concluiu o debate enfatizando a dificuldade do momento atual tanto no Brasil como no mundo e conclamando a todos para o ato em defesa da democracia e contra o golpe que acontece hoje em todo o país. “Esta ofensiva que se vê no Brasil também ocorre no resto do mundo. Nós estamos reagindo e enfrentando esta cartilha liberal que se apresenta. Na crise política não temos outra saída senão a luta política”.

Confira aqui a galeria de fotos.

Natália Rangel – Portal CTB 

Compartilhar: