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Racismo arcaico da elite impede avanços para a construção de um país mais igual

A Câmara dos Deputados realizou nesta terça-feira (11) um seminário para debater o Projeto de Lei (PL) 6.738/2013 que cria cotas para a população negra no serviço público federal, dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstraram que negros e pardos chegam a ocupar menos de 6% de determinadas carreiras do Estado. “O Ipea mais uma vez confirma que as políticas afirmativas são necessárias no mercado de trabalho e na educação para criar igualdade de oportunidades lá na frente. Fica claro a persistência de um racismo que divide os brasileiros e cria cidadãos de segunda classe aos olhos da elite”, acentua Mônica Custódio, secretária de Políticas de Promoção de Igualdade Racial da CTB.

Mônica defende o PL que cria cotas para negros no serviço público porque pelo estudo do Ipea, entre 2007 e 2012, negros e pardos ocuparam apenas 5,9% das vagas na diplomacia. Já nas carreiras de desenvolvimento tecnológico de nível superior, o índice é de 6,3%, enquanto na auditoria da Receita Federal, apenas 12,3%. O número não é muito distinto entre procuradores da Fazenda Nacional (14,2%), na carreira jurídica da Advocacia Geral da União (15%) ou da Defensoria Pública (19,5%). Para servidores de nível superior das agências reguladoras (15,6%) e fiscais do trabalho (16,6%) a situação é semelhante. No conjunto da população economicamente ativa, negros e pardos representavam 52,2% do total em 2012 de acordo com o Ipea.

Para ela, “somente com essas políticas agora, poderemos sonhar em construir uma sociedade de homens e mulheres livres e iguais”. Mônica reforça que “o conflituoso processo de colonização no Brasil gerou uma situação contraditória. De um lado, as marcas da escravidão ultrapassaram a Abolição da Escravatura, devido a não inserção social e econômica do negro na sociedade brasileira, perpetuando uma desigualdade histórica que precisa ser superada. De outro lado, gerou também um povo uno, miscigenado, produto da fusão do branco europeu, do negro africano e das comunidades indígenas aqui existentes”.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações do Ipea

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