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Profissionais da educação pública estadual de São Paulo estão entre os piores salários

Ao comentar reportagem sobre a situação das escolas paulistas, feita pela rádio CBN, das Organizações Globo, Francisca Pereira da Rocha Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), assinala que a situação é de “total precariedade”.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), um profissional da rede estadual paulista ganha em média, R$ 3,1 mil por mês, enquanto a média nacional das redes estaduais se aproxima dos R$ 3,4 mil mensais.

E o piso salarial da categoria, em São Paulo, é de R$ 2,2 mil mensais, constatado pela reportagem, Francisca conta ainda que as escolas estão em “completo abandono, principalmente na periferia, onde a demanda por vagas é muito maior”.

Ela questiona também como pode “o estado mais rico da nação pagar tão pouco às educadoras e educadores?” Outro problema muito grave, segundo a sindicalista, é a superlotação de salas.

Logo após o vitorioso movimento de ocupação de escolas pelos estudantes secundaristas paulistas em 2014 e 2015, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) fechou 2,8 mil salas de aula no estado, segundo a Rede Escola Pública e Universidade.

Para piorar a situação do magistério da rede pública estadual, os profissionais que têm jornada de 20 horas semanais recebem R$ 1,1 mil por mês. De acordo com a reportagem da CBN, Há vinte anos, o professor recebia entre cinco e seis salários mínimos. Hoje, não passa de dois. A inflação do período foi de 240%, mas o salário subiu cerca de 150%”.

A reportagem cita um levantamento do Instituto Locomotiva, de 2016, mostrando que “mais de 50 mil professores do estado se afastaram por transtornos psíquicos”, sendo que, “metade deles já foi vítima de agressão verbal ou física”.

O professor de Geografia, Gabriel Freitas conta que é obrigado a “tomar estabilizante de humor, antidepressivo e fazer psicoterapia para dar uma aliviada em toda essa carga”, por causa da jornada de trabalho exaustiva e ao grande numero de alunos.

Francisca, que também é secretária de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), confirma que a sobrecarga de trabalho, os baixos salários e a violência a que as educadoras e educadores estão expostos, vem causando adoecimentos.

Em 2017, a Apeoesp encomendou uma pesquisa ao Instituto Locomotiva. Pelo levantamento, 51% dos profissionais da educação pública estadual disseram já ter sido vítimas de violência física ou verbal.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação, existem 3,7 milhões de estudantes em São Paulo e 244,9 mil educadoras e educadores, em 5,4 mil escolas estaduais.  O problema, informa Francisca, é que “as escolas estão deterioradas, têm salas superlotadas e faltam profissionais, porque ninguém mais quer ser professor nessas condições precárias e o governo não realiza concursos”.  

De acordo com a sindicalista, o governo contrata temporários para suprir a falta de profissionais concursados, mas “eles trabalham em situação ainda mais precária, sem os mesmos direitos dos profissionais efetivos”.

O governo de São Paulo afirma que já pagou R$ 4 bilhões em bônus às educadoras e educadores e que negocia um reajuste de 10%. Mas, diz Francisca, “em 2017, conquistamos na justiça um aumento de 10,15% e o governo não pagou. Como confiar se nem o já conquistado nós recebemos?”

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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