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Petroleiros querem democratizar comunicação

A democratização dos meios de comunicação foi um dos temas abordados na I Plenária Nacional da FUP, que apontou a importância deste debate ser priorizado pelos sindicatos. De acordo com a entidade, uma prova disso é a reportagem de capa do jornal O Globo, publicada no último dia 05, intitulada “A república sindicalista instalada na Petrobrás”.

A Federação afirma que, para tentar atacar a estatal e alimentar a CPI privatista, a reportagem pinçou entre os 4.910 gerentes da empresa, 22 que já foram sindicalistas (0,5% do total). Um passado condenável, segundo o jornal. "Mais do que destilar preconceito contra os trabalhadores sindicalizados, O Globo induz o leitor a pensar que ser sindicalista é crime", avaliam os petroleiros.

A entidade coloca que, não por acaso, o jornal volta a reproduzir a mesma expressão (‘’república sindical”) utilizada no governo Jango para referendar o golpe militar. Para a FUP, a reportagem é ofensiva com a representação dos trabalhadores, preconceituosa e claramente tendenciosa. Citada algumas vezes na matéria, a Federação sequer foi procurada, muito menos ouvida pelo jornal.

Segundo a entidade, o Globo faz o que sempre fez: "incitar o preconceito de classe, legitimar o pensamento das elites, criminalizar os movimentos sociais. Vide o golpe militar, em 1964, que teve apoio maciço dos veículos de comunicação da época", alerta a Federação, que também lembra que, em fevereiro deste ano, a Folha de São Paulo publicou um editorial tratando a violenta ditadura como “ditabranda”.

Cerca de 500 manifestantes realizaram um ato público em frente à sede do jornal, onde foi lido um manifesto com oito mil assinaturas de brasileiros repudiando o editorial. Por conta deste episódio, a Folha amargou uma perda de pelo menos dois mil assinantes.

Nas entrelinhas

A FUP afirma que não é novidade para ninguém que os setores de direita da Petrobrás estão por trás da maioria dos ataques que a empresa tem sofrido na mídia e no Senado, visando à instalação da CPI privatista. De acordo com os petroleiros, Paulo Brandão e Ronaldo Tedesco, recém eleitos para os Conselhos da Petros, fazem oposição à FUP e já haviam municiado anteriormente O Globo contra o movimento sindical cutista, em matéria publicada no dia 14 de junho.

"Pelo que tudo indica, há uma aliança em curso entre a direita da Petrobrás,  esses conselheiros e as associações de aposentados, nos ataques ao governo à FUP".

Com a palavra, o leitor!

A FUP relata ainda que, censurados na seção Cartas do Globo, vários leitores buscaram os meios alternativos de comunicação na internet para expressarem sua indignação em relação aos ataques preconceituosos do jornal ao movimento sindical brasileiro.

“República dos sindicalistas? Essa foi a desculpa para se pedir o golpe militar. O Globo fez isso em 1964, dizendo que o Jango estava articulando um golpe para instituir a tal república dos peões. E repete agora, 25 anos depois.” – Juliano Guilherme, no Blog do Luis Nassif.

“O Globo fere a ética jornalística, fere a Constituição e incentiva o preconceito. O que ocorre ocorreria se a manchete fosse contra os judeus? Ou contra os negros? Ou contra os dentistas? Ou contra os ciclistas? Preconceito é crime!” – Maria Cordeiro, no Blog Fatos e Dados.

“Oh, meu Deus, sou representante sindical na escola em que trabalho e, segundo a lógica d’O Globo, jamais poderei ser diretora de escola nem supervisora escolar, mesmo que faça pós em administração/supervisão escolar e passe em concurso!” – Silvana no Blog do Luis Nassif.

“Pergunto à Petrobras: Anunciar nesses veículos contribui para reforçar a marca, ou para deteriorá-la?” – Jean Scharlau, no Blog Fatos e Dados.

“Que tal começarmos a deixar de ler um jornal quando ele se apresenta assim de maneira tão criminosa? Cancelar a assinatura e ainda informar ao próprio jornal por que o fazemos.” – Damir Ferrere, Blog Fatos e Dados.

“O Globo não é um jornal, é um partido!” –  Augusto, no Blog do Luis Nassif.

Fonte: FUP

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