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Para onde corre o jovem?

José Carlos Barbosa

Muito se discute atualmente sobre o papel do jovem trabalhador na sociedade. Ele é aquele que, por vezes, não consegue se formar ou, ainda, é o que trabalha o dia inteiro para pagar a faculdade que cursa à noite.

E o que não era fácil ficou ainda pior. Com o agravamento da crise econômica, a realidade da juventude trabalhadora se agravou. Atualmente, o jovem que ingressa no mercado de trabalho, além de encontrar um longo e árduo caminho pela frente, quando conquista o primeiro emprego tem que conviver com condições precárias de trabalho, os constantes ataques da empresa aos seus direitos e a ameaça de demissão, já que é a primeira opção do patronato na hora de reduzir custos.

De acordo com a Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego para a faixa etária de 16 a 24 anos subiu para 21,1% em março, a maior desde agosto de 2007. Em fevereiro, a taxa para esse grupo era de 18,9%. Os dados confirmam o que já era notado no cotidiano, que a população jovem é o segmento que mais sofre com o desemprego.

Caindo aos pedaços

A realidade do jovem trabalhador metroviário não é diferente de outros tantos que existem por aí. Ele sofre com condições precárias de trabalho, além de se decepcionar quando consegue a tão esperada vaga de emprego.

Já ouvi muitas vezes de colegas metroviários sobre a falta de investimento na manutenção, equipamentos de alta precisão antigos e a carência de ferramentas adequadas para trabalhos essenciais.  São coisas pequenas e corriqueiras do ponto de vista de quem escuta, mas não o são para o jovem metroviário, que entra cheio de expectativas e força de vontade.

Funções como Agente de Bilheteria (AE), cada vez mais desvalorizadas pela empresa, hoje se encontram em ameaça de extinção, devido aos constantes ataques do governo estadual e da empresa que teimam em repassar o patrimônio público para as mãos da iniciativa privada. Um bom exemplo é a tentativa de concessão do sistema de arrecadação para uma empresa. A implantação da terceirização do sistema deve gerar a extinção da função de AE, que não ficará mais a cargo dos metroviários. Essa política privatista gera um cabo de força. De um lado, o sindicato e a categoria, do outro, a empresa, o governo estadual e a iniciativa privada.

Outra causa de decepção é a falta de perspectiva de crescimento profissional. Essa dificuldade de ascensão faz com que muitos jovens promissores que entram no Metrô acabem desistindo em poucos anos, partindo para outros segmentos, ao invés de tentar mudar essa realidade através da ação sindical. A maioria desses jovens não participou das lutas que garantiram as principais conquistas do acordo coletivo da categoria, como bilhete de serviço, periculosidade, jornada de trabalho, entre outras. Isso faz com que eles não tenham noção da real importância da unidade e fortalecimento da luta sindical. Dessa forma, cabe aos dirigentes orientarem e fomentarem a participação da juventude para renovar e fortalecer a luta dos trabalhadores.

Mudança nas mãos

De olho neste cenário, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) realizará seu primeiro 1º Encontro de Jovens Trabalhadores nos dias 23 e 24 de maio, em Atibaia – SP.
O desafio, além de debater essa realidade, é buscar iniciativas que visem ao fomento da participação da juventude no movimento sindical, facilitando e motivando sua inserção nos sindicatos.

No evento, promovido pela Secretaria de Jovens da CTB, serão debatidas e definidas diretrizes que orientarão as lutas da juventude trabalhadora de todas as categorias, na cidade e no campo.

José Carlos Barbosa Nobre, o Capotão, é secretário de Assuntos da Discriminação Racial do Sindicato dos Metroviários de São Paulo

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