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Onda de crimes: mais de 23 assassinatos no Mato Grosso

Em 2014, já foram registrados 23 assassinatos em conflitos no campo, e mais três estão em investigação. Segundos os dados do Centro de Documentação da CPT Dom Tomás Balduino, divulgados nesta semana. Além dessas mortes, acontecidas nos últimos dias, o Centro de Documentação registrou um sangrento mês de julho, com sete assassinatos em 20 dias, em quatro estados da federação. Os números já ultrapassaram os do ano passado. 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) denunciou uma onda de crimes no campo em Mato Grosso, relacionados a conflitos agrários e ambientais. Esses crimes demonstram a necessidade imediata de apurar e punir os responsáveis. A onda de violência praticada pelo latifúndio e seus aliados, vêm vitimando as lideranças que lutam pelo direito à terra e à natureza naquele estado.
 
Os conflitos na região se agravaram após a realização de uma reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência, no dia 5 de agosto em Cuiabá, onde as vítimas apresentaram suas denúncias, demonstrando o descaso e o desrespeito dos agressores em relação às instituições. 

Abaixo, segue relato dos crimes ocorridos contra trabalhadores e trabalhadoras rurais ligados ao Sistema CONTAG nos últimos 10 dias. Maiores informações: CONTAG
 
Município de União do Sul – Assassinatos, atentado e ameaças:

a)   Assassinato de Maria Lucia do Nascimento: no último dia 13 de agosto, Maria Lucia foi assassinada com três tiros fatais, no município de União do Sul.  Maria Lúcia era assentada na Gleba Macaco, no Assentamento Nova Conquista 2, área  reconhecida legalmente como terra pública da União, onde coordenava a luta pela regularização do Assentamento que conta com 25 famílias de trabalhadores(as) rurais. Também foi presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, onde atuou na defesa intransigentemente dos direitos da categoria.

b)   Atentado ao trabalhador Cleirton Alves: No dia 17 de agosto, Cleirton Alves Braga, que é ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de União do Sul e também assentado na Gleba Macaco, no Projeto de Assentamento Nova Conquista 2, quanto voltava para casa, no assentamento, foi seguido por dois carros cheios de pessoas desconhecidas. Para fugir dos perseguidores, correu pelo mato e se escondeu próximo de sua casa, a tempo de ver que ali chegavam e passavam com a camionete sobre a cadela da família e dando tiros para o alto.

c)    Ameaças: Enquanto estava escondido, Cleirton ouviu uma conversa entre os perseguidores, dizendo que a prioridade das mortes seria a do próprio Cleirton, além de sua irmã, Claudineia, que é assentada e de Zilma Porfírio, assentada, também ex-presidente do sindicato e atualmente diretora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Mato Grosso.
 
Município de Colniza – Assassinatos:

a)    Josias Paulino de Castro e Ireni da Silva Castro: No dia 16 de agosto, no distrito de Guariba, município de Colniza, foram barbaramente assassinados.

Os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo calibre 9mm, que é de uso restrito. Josias era presidente da Associação “Aspronu”– Projeto Filinto Müller e lutava pela legalização das terras, denunciando as emissões irregulares de títulos definitivos da área em nome de fazendeiros e empresários e a extração ilegal de madeiras. Estas denúncias envolviam também políticos, servidores do Estado e a polícia que, segundo Josias, estariam envolvidos ou coniventes com as ações de grilagem de terras públicas do estado e em crimes ambientais nas mesmas áreas. 

A última denúncia se deu no dia 5 de agosto, durante uma reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, realizada em Cuiabá com a presença do Ouvidor Agrário Nacional, Gercino José da Silva, dentre outros agentes públicos. Nesta reunião, Josias afirmou a existência de pistoleiros na região e afirmou, ainda, que nunca foram tomadas providências para solução definitiva dos casos: “Estamos morrendo, somos ameaçados, o Governo do Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o Governo Federal é omisso, será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”.
 
 

Fonte: CONTAG

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