Novo presidente da Fetaesc promete gestão voltada para o desenvolvimento

A nova diretoria da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc) tomou posse no último dia 31 de janeiro. Durante os próximos quatro anos, a presidência da entidade será comandada por José Walter Dresch que, em entrevista ao Portal CTB, afirmou que sua gestão terá o desenvolvimento como um dos elementos fundamentais.

Dresch, de 55 anos, tem uma trajetória de trabalho vinculada à terra. Sua origem no movimento sindical se deu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Miguel do Oeste, entidade que presidiu por 11 anos – até chegar à Fetaesc, onde exerceu cargos na Secretaria Geral e na Tesouraria.

Nesta entrevista, Dresch fala de suas principais tarefas durante a gestão 2012-16, de alguns dos problemas enfrentados pelos trabalhadores rurais catarinenses, avalia o primeiro ano de Dilma Rousseff e reafirma a parceria existente entre a Fetaesc e a CTB e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag). Confira abaixo:

Portal CTB? Qual sua expectativa para esse novo mandato, agora como presidente da Fetaesc?
José Walter Dresch: Acredito que é um grande momento para a nova direção, junto com seus parceiros. Será a 14ª gestão de nossa entidade, que tem como principal marca sua história de luta. Creso que este é um bom momento para darmos continuidade ao que vinha sendo feito pela direção que agora encerra seu mandato.

Portal CTB: Neste momento, quais são as principais demandas dos trabalhadores rurais catarinenses?
Dresch: Precisamos discutir com mais profundidade a questão da sustentabilidade em Santa Catarina. Isso envolve gestão, produção, associativismo, formação, informação e o envolvimento da família nesse processo.

Precisamos também implementar algumas políticas públicas, como habitação, armazenamento, espaço de comercialização – todas são demandas muito fortes para nós. Há também outra grande preocupação, que é a segurança de renda – uma questão que afeta a todos. Acabamos de enfrentar uma grande seca que nos prejudicou, em meio a uma grande fragilidade, por conta da descapitalização dos últimos 30, 40 anos. Isso fez com que nosso agricultor sofresse. Além disso, precisamos discutir também a questão fundiária de Santa Catarina. Terra é algo absolutamente essencial, e precisamos discutir esse assunto junto com nossa juventude.

Portal CTB: A partir desse cenário local, qual a importância da Contag para que essas políticas e outras (de âmbito regional e nacional) sejam alcançadas pelos trabalhadores rurais?

Dresch: A parceria com as demais federações é fundamental, sem dúvida muito importante para nós. É por isso que temos nossa data-base, que é o Grito da Terra (tanto o estadual quanto o nacional), ocasião em que apresentamos nossa pauta de reivindicações. Nesse aspecto, a Contag é uma peça que tem cumprido um papel muito importante, pois ela agrega os diferentes problemas apresentados por cada região do país. Trata-se de uma entidade que representa mais de quatro mil sindicatos, quantidade que a transforma na maior entidade sindical rural de toda a América Latina.

Portal CTB: Pensando nas políticas de caráter nacional para o campo, qual sua análise sobre o primeiro ano do mandato da presidenta Dilma Rousseff?
Dresch: Ela tem feito um bom papel ao dar continuidade ao trabalho iniciado pelo ex-presidente Lula – quando tivemos muitos avanços. Mas é claro que precisamos avançar mais e isso é difícil de resolver em pouco tempo em uma sociedade que está à margem. Nós, da Fetaesc, queremos ser propositivos, pois só com boas intenções não se resolvem os problemas. Precisamos inserir as Fetags e a Contag nesse processo. Aquilo que acreditamos seguir por um bom caminho será defendido por nós. Por outro lado, não deixaremos de criticar aquilo que estiver no sentido contrário.

Portal CTB: Nesse processo de inserção e também no relacionamento com o governo federal, qual o papel das centrais sindicais e, mais especificamente, de uma entidade como a CTB?
Dresch: A Fetaesc é filiada à CTB porque a consideramos uma entidade fundamental – e certamente é a central que tem maior clareza da realidade do meio rural. Isso tem uma importância muito grande. Temos em nosso estado um grande número de sindicatos que também são filiados à CTB e, durante a gestão que se inicia, pretendemos fazer um trabalho de divulgação e esclarecimento sobre o papel das centrais sindicais para nossa luta. Temos a obrigação de tornar a CTB mais forte e de estarmos completamente unidos e voltados para o desenvolvimento do país.

Fernando Damasceno – Portal CTB

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