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Nas ruas, a força das meninas derrotará a cultura do estupro e o patriarcado arcaico

O estupro bárbaro de uma adolescente no Rio de Janeiro, reacendeu com muita força o debate sobre as questões de gênero e como vencer a cultura do estupro em nossa sociedade.

“A juventude, principalmente as meninas, está nas ruas e continuará até que nenhuma mulher seja estuprada no país”, diz a presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes.

Ela entende que a cultura do estupro predomina no mundo, “não é só no Brasil”, afirma. “A questão só se alvoroçou após a divulgação desse crime hediondo de uma secundarista, ainda adolescente”.

Isso, para Camila, mostra a necessidade imperiosa de o debate das questões de gênero ser levado para dentro da escola. “Já passou da hora de o debate ser colocado, estamos em pleno século 21 e esses machistas com medo de debater com a mulherada”, reforça.

Ela conta também que a repressão às meninas está muito presente nas escolas. “A cultura do estupro é muito sentida por nós já no início da puberdade”, fala. “A violência está nos olhares, nas mexidas e às vezes nas tentativas de nos tocar sem nossa permissão”.

A presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas (CTB-AM), Isis Tavares, confirma essa questão e conta que alguns anos atrás, em Manaus, fizeram uma atividade na escola pedindo para as crianças e jovens desenharem ou escreverem o que acontece em suas casas.

Assista manifestação desta quarta (1) na Paulista, em São Paulo, “Todas Por Elas” (emocionante):

“O resultado foi assustador. Muitos desenhos de crianças mostravam familiares no quarto e a menina gritando não, não”, revolta-se. Uma aluna de 14 anos, muito introvertida, magrinha e malvestida entregou o seu trabalho diretamente a mim e me contou sua história.

“Ela me contou que o tio a molestava há anos, mas nunca foi houve penetração, mas que ela resolveu me contar porque acreditava que o mesmo tio molestava a sua irmã de apenas 10 anos”, relata Isis.

Como educadora responsável, Isis contou para a mãe que ficou louca. “Ela vivia com um homem que não era o pai das meninas e levava as duas para a casa da mãe por questão de segurança e foi ali que aconteceu”.

Camila diz que histórias como essas revoltam ainda mais as feministas mais conscientes, mas ela sabe que isso acontece em todos os lugares. “Nós vivemos com medo. Medo de andar sozinha a noite, medo e usar roupa curta, medo de usar transporte público”.

Mas “precisamos encarar esses canalhas e mostrar que estupro não é sexo é crime, é desumanidade”, ataca. Ela acentua que também o assédio sexual deve ser coibido e punido quando necessário.

“Os homens precisam entender que quando uma garota diz não quero, significa não quero e pronto”, diz. “Inclusive nas escolas somos reprimidas por causa de nossas roupas, do cabelo e do comportamento, somos julgadas o tempo todo”.

Ela explica que a Ubes recebe algumas denúncias como a de um professor de Goiás que trocava “favores sexuais” para dar nota boa às alunas. “Uma covardia sem fim”.

Ela realça também que a mídia não cumpre o seu papel social de debater essas questões com seriedade. “Uma novela da Globo mostrava uma adolescente molestada pelo padrasto e incriminava a vítima, em vez do agressor”, reflete.

Mas, a primavera feminista, desde o ano passado está movimentando a sociedade e forçando esse necessário debate. “Chega de mulheres e meninas estupradas todos os dias”, reforça Camila. “Estaremos nas ruas e nas escolas, todas por nós e sempre unidas vamos transformar o mundo. O machismo mata, mas o feminismo nos redime e constrói o mundo novo”.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Eduardo Valente

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