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Na sede da CTB-MG, uma discussão vital sobre as ocupações estudantis e a resistência democrática

Movimentos sociais e sindicais se organizam para apoiar e ampliar a estrutura das ocupações estudantis em Minas Gerais, para unir classe trabalhadora e estudantes. As formas de apoio ao movimento foram discutidas na sede da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Minas Gerais (CTB-Minas) em Plenária Ampliada na tarde da última sexta-feira (4). O histórico movimento das ocupações estudantis é no momento a experiência mais próxima de atingir a sociedade brasileira e denunciar a pauta neoliberal dos golpistas, afirmaram os participantes da Plenária. Representantes dos estudantes apontaram três carências urgentes do movimento: recursos para material gráfico, deslocamento e alimentação.

Em Minas Gerais já são 128 escolas ocupadas, com a perspectiva de chegar a 140 até o final do dia, 22 universidades, dentre elas a PUC em seu campus Coração Eucarístico, a primeira universidade privada do país a ser ocupada. Segundo Rafael Leal, da União da Juventude Socialista (UJS), a geração que hoje está nessas escolas tem ânsia de mudar o mundo e tem a capacidade de envolver outros setores. Rafael reafirmou o engajamento do movimento. “Apesar de ter ações espontâneas, a iniciativa foi das entidades do movimento estudantil, que tem papel protagonista”, ressalta.

Rafael também chamou atenção para o embate forte com a direita em todos os locais e ressaltou a prática paramilitar em alguns casos, como no Estadual Central. “Temos um enfretamento aberto com uma direita organizada e muito financiada”.

Plenária das ocupações escolares em MG

Késsia Cristina, da União Colegial de Minas Gerais (UCMG), fez um relato de como estão as ocupações em Minas. Para ela, a primavera secundarista começou com o movimento pelas merendas e ganhou força e politização. “O pessoal está enxergando que o filho do pedreiro não vai mais virar doutor. Temos provado todos os dias no cotidiano das ocupações nossa pauta democrática”. Késsia lembrou que a estratégia do governo golpista é de criminalizar e responsabilizar o movimento com o adiamento das provas do ENEM.

Para Raul Pereira, da União Estadual dos Estudantes (UEE/MG), o momento é de unidade total e “radicalizar para alcançar a comunidade, atingir o trabalhador, que é a base da sociedade”.

O desafio de ampliar as frentes de resistência e fortalecer as ocupações foi a base do apoio de todas as entidades presentes. A pauta deu-se em torno da Medida Provisória de Reforma do Ensino Médio e a PEC do Fim do Mundo – essa última, que agora tramita no Senado como PEC 55, mostra o tamanho do retrocesso que está no caminho do povo brasileiro.

Além do apoio às escolas ocupadas, a Plenária apontou a importância de unificar as lutas. Entre as agendas propostas está o dia 11 de novembro, Dia Nacional de Paralisações e Greves.

As entidades também assinaram uma moção de repúdio contra as ações de violência ao movimento estudantil e solidarizam com o MST.

Moção de repúdio contra a violência ao movimento estudantil

“Reunidos em Plenária de Apoio e Solidariedade às ocupações estudantis – em defesa das políticas e investimentos públicos e contra a PL55 (ex – PL 241) MP Reforma do ensino médio / Lei da Mordaça, contra qualquer tipo de violência aos movimentos estudantis, sindicais e sociais manifestamos nossa incondicional solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem terra – MST diante dos ataques sofridos no dia de hoje.

Denunciamos a arbitrariedade cometida pela justiça paranaense e a provocação feita por partes das policias civil e militares nos Estados do PR, MT e, particularmente, de SP – que invadiu a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) de forma truculenta, incluindo uso de armas de fogo.

Conclamamos o conjunto das forças democráticas a se levantarem contra a marcha antidemocrática e em curso no País.

Somente com uma ampla unidade democrática será possível garantir e ampliar as liberdades políticas e os direitos sociais conquistados ao longo de décadas de lutas de nosso povo.

Belo Horizonte 04, de novembro de 2016.

– Todo apoio e solidariedade ao MST
– Pela garantia das liberdades democráticas
– Nenhum direito a menos
Entidades que assinam:
· União da Juventude Socialista (UJS)
· União Colegial de Minas Gerais (UCMG)
· União Brasileira dos Estudantes (UBES)
· Sindicato dos Auxiliares De Administração Escolar (SAAMG)
· Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB / MG)
· Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Minas Gerais (FETAEMG)
· Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (SINDIBEL)
· Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (SITRAMICO)
· Ocupaminas
· Sindicato dos Servidores Públicos de Nova Lima (SINDSERP)
· Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Minas Gerais (SINTTEL)
· Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (SINPRO)
· Sindicato dos Trabalhadores da Educação Rede Publica Municipal de BH (Sind Rede)
· Sindicato dos Promotores, Repositores, Demonstradores, Coordenadores, de Merchandising e de Vendas de Minas Gerais (SinProReD)
· Sindicatos dos Trabalhadores em Entidades Sindicais do Estado de Minas Gerais (SITESEMG)
· Gabinete do Vereador Gilson Reis
· Gabinete do Deputado Celinho do Sinttrocel
· Federação dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino (FITEE)”

Da CTB-MG

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