Mulheres negras marcham em São Paulo em defesa da vida e da liberdade

3ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Concentradas na Praça Roosevelt desde 17h, mulheres negras denunciam à sociedade a violência que sofrem diariamente, no Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, nesta quarta-feira (25).

“O país vive uma crise política e econômica que afeta profundamente a vida do povo negro porque acirra o racismo e a misoginia”, diz Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP.

A 3ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo saiu às ruas da maior cidade do país cantando e dançando as suas vontades de construir uma nação sem violência com o tema “Por nós, por todas nós e pelo bem viver. Exigimos o fim da negligência e da violência do Estado”.

“Neste ano refletimos sobre os 130 anos da Abolição da escravatura, que ainda não trouxe a verdadeira liberdade ao povo negro”. Ela complementa afirmando que “a opressão é mais sentida pelas mulheres seja no mercado de trabalho, nas ruas, no transporte público, na sapde, na educação, enfim em todos os lugares”, diz a sindicalista.

“A violência nos atinge e a crise afeta em primeiro lugar as mulheres negras que estão na base da pirâmide social, com salários mais de 60% inferiores aos do homem branco”.

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As estatísticas mostram que 70% das mortes violentas ocorridas não país, são de negros. A maioria de jovens pretos, pobres e da periferia. Mostra ainda que nos últimos anos o assassinato de mulheres negras cresceu 54%.

“As mulheres negras carregam esse fardo em suas costas desde o Brasil colônia, cuidando do trabalho doméstico, dos filhos dos brancos, sendo violentadas e maltratadas”, afirma Gicélia. E como a mentalidade escravocrata persiste, “as mães negras choram constantemente a morte de seus filhos nas periferias das grandes cidades, mortos pelo braço armado do Estado”.

Ela lembra ainda que o mercado de trabalho discrimina as mulheres negras triplamente. “As negras sofrem assédio moral e sexual, têm os menores salários, trabalham em condições mais precárias, moram mais distante e não têm a presença do Estado para garantir os seus direitos e a sua vida”.

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O ato terminou com apresentações artísticas no Largo do Paissandu por volta das 21h30. Gicélia define que as mulheres negras, indígenas e trabalhadoras estão nas ruas mais uma vez para “exigir o respeito aos direitos, à vida e por justiça”.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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