Movimentos sociais denunciarão Polícia Militar de São Paulo à OEA

Representantes dos movimentos sociais, entre eles a CTB, acompanhados pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), concederam uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (5), no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, para denunciar a ação truculenta da polícia militar (PM) contra manifestantes e jornalistas desde que o governo Temer Golpista assumiu o comando do país.

Os parlamentares, que participaram do ato contra o golpe realizado no domingo (4) e que reuniu mais de 100 mil, mostraram sua indignação com a ação violenta da polícia que partiu para cima da população que protestava pacificamente já no fim do percurso, no Largo da Batata, disparando bombas. O ex-ministro Roberto Amaral chegou a ser atingido no braço por estilhaços.

“Queremos proteção da polícia e o direito à manifestação do pensamento”, expressou Teixeira. O secretário de Políticas Sociais da CTB e integrante da frente Povo Sem Medo, Rogério Nunes, concorda: “É injustificável que o governador do Estado [Geraldo Alckmin] em consonância com o Ministro da Justiça [Alexandre de Moraes] aja com violência contra a população. Reiteramos nossa indignação”, expressou o sindicalista.

Na oportunidade, Lindbergh informou que entrará com uma representação na Organização dos Estados Americanos (OEA) contra a atuação da PM. Ele ainda lembrou da violência contra os profissionais da comunicação. O fotógrafo Sérgio Silva ficou cego após ser atingido por uma bala de borracha durante protesto do Passe Livre em 2013 e foi considerado culpado por estar na linha de tiro. “Temos que falar para o Brasil e para o mundo que os jornalistas também estão sendo vítimas. Isso não é normal”, disse.

Outra denúncia realizada durante a coletiva foi da prisão de 26 jovens, antes da manifestação de domingo começar, sob a acusação de que “pretendiam praticar atos de violência” por portarem gazes, curativos, vinagre e máscaras de proteção eles foram encaminhados ao Deic (Departamento De Investigações Sobre Crime Organizado).

O ex-senador Eduardo Suplicy leu uma carta assinada por ele e mais dois parlamentares e enviada ao governador e ao secretário de segurança do estado na qual afirma: “Consideramos um exagero a conclusão dos delegados de que aqueles jovens iriam participar de ações violentas no protesto (…) pois a manifestação foi inteiramente pacífica e aqueles jovens nos asseguraram que se tivessem a oportunidade de participar da manifestação também teriam agido pacificamente”, diz o documento.

Os adultos detidos participam, nesta segunda (5), de uma audiência de custódia no Fórum da Barra Funda e os adolescentes no Fórum da Infância e Juventude do Brás. Os próximos atos organizados pelas frentes Brasil Popular (FBP) e Povo Sem Medo (FPSM) ocorrerão nos dias 7 e 8 de setembro. “Vamos dar uma aula de democracia para esse governo ilegítimo”, afirmou Edson Carneiro Índio, que também representou a FPSM. Lideranças da FBP reforçaram a convocatória para os próximos atos. 

Érika Ceconi – Portal CTB 

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