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Milton Sanches: “Mobilização nacional vai exigir as 30h para os profissionais da enfermagem”

A categoria dos profissionais da área de enfermagem está se preparando para uma grande manifestação, a ser realizada em 9 de abril, em Brasília, com o objetivo de colocar em pauta no Congresso Nacional o projeto que limite em 30 horas semanais sua jornada de trabalho.

De acordo com Milton Sanches, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Sorocaba e Região (Sinsaúde) e diretor de Relações Intersindicais da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo, a categoria exige que os deputados coloquem em votação o Projeto de Lei 2295/2000, que trata das 30 horas, além de outros temas que afetam diretamente os profissionais da área de enfermagem (enfermeiros, técnicos em enfermagem e auxiliares de enfermagem).

Sanches visitou as sedes da CTB-SP e da CTB nacional nesta semana. Nesta entrevista, ele fala dos preparativos para a manifestação de 9 de abril e do atual momento vivido pela categoria. Confira a seguir:

Portal CTB: Por quais motivos sua categoria luta pela jornada de 30 horas semanais?
Milton Sanches: Trata-se um movimento que já dura alguns anos. Estamos tentando colocar em pauta no Congresso Nacional duas demandas importantes: o piso nacional de enfermagem e as 30 horas. No dia 9 haverá uma “invasão” em Brasília por conta de nossa luta pelas 30 horas, para colocar isso em pauta. A partir disso, será mais fácil negociarmos o piso nacional.

A luta pelas 30 horas pelos profissionais de enfermagem se deve pelo fato de ser uma atividade extremamente desgastante para o trabalhador de saúde. De forma geral, todos são mal remunerados – e é por isso que a luta pelo piso deve vir junto dessa reivindicação. É preciso que o funcionário trabalhe apenas 30 horas no hospital, de modo a garantir um atendimento de qualidade ao paciente e, ao mesmo tempo, ter um salário compatível para proporcionar todo o necessário à sua família.

A situação precária de muitos hospitais também é um componente da luta da categoria?
Com relação à situação dos hospitais, é aquilo que a gente vê na imprensa mesmo. Em Sorocaba, por exemplo, o hospital que era de excelência, hoje está numa situação muito ruim. De forma geral, o serviço que não é privado, que depende do SUS, está nessas condições. Faltam trabalhadores, falta equipamento, falta espaço e sobram pacientes.

A campanha pelas 30 horas tem caráter nacional. Queremos que ela culmine no dia 9, em Brasília. Esperamos com isso oferecer a todos os trabalhadores, num futuro próximo, o atendimento de qualidade que todos merecem.

Como andam os preparativos para a mobilização?
Estamos esperando reunir cerca de 30 mil trabalhadores em Brasília. Todos os estados, com trabalhadores ligados a diferentes centrais sindicais, estarão representados. Nós, da CTB em São Paulo, iremos em um ônibus cedido pela CTB nacional.

Como tem sido o trâmite desse Projeto de Lei no Congresso Nacional?
Há neste momento diversos deputados que já demonstraram apoio ao nosso projeto, mas falta entrar na pauta de votação. Há cerca de três meses, quando seu texto iria para votação, a liderança da Câmara retirou seus deputados e, após dez anos, perdemos a oportunidade de colocar esse tema em votação.

Estamos procurando dialogar com os deputados ligados aos trabalhadores, de partidos como o PSB, PCdoB e PT, para que desta vez seja marcada essa votação e todos compareçam para dar um ponto final a esse martírio. Do jeito que está, a profissão de enfermagem tende a ver seus melhores profissionais migrarem para outras áreas.

Fernando Damasceno – Portal CTB

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