Militares estão metidos até o pescoço no sinistro esquema de corrupção das vacinas

O depoimento prestado na CPI da covid nesta sexta-feira pelo representante da Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho, sugere que a militarização do Ministério da Saúde foi acompanhado da instalação do tenebroso esquema de corrupção com a compra de vacinas para combater a covid-19.

Carvalho revelou que nove militares das Forças Armadas, da ativa e da reserva (sendo sete coronéis), estiveram envolvidos na negociata que envolveria a compra de 400 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca através da empresa estadunidense.

“Cúpula dos coronéis”, foi como o vendedor nomeou na CPI o grupo que comandava o Ministério da Saúde. Ao ser questionado pela senadora Leila Barros (PSB-DF) se eles teriam entendimento técnico em saúde. Carvalho negou: “Parecia que eles desconheciam absolutamente tudo sobre comércio exterior, o que me surpreendeu, inclusive, porque eu ficava pensando como é que eles estavam negociando vacinas com os fabricantes se eles não tinham aquelas informações básicas”.

Segundo depoimento de Carvalho, haviam dois grupos distintos atuando nas negociações com a Davati. Um deles seria formado por Roberto Ferreira Dias, sargento e diretor de Logística do Ministério da Saúde, Marcelo Blanco, coronel e assessor de Dias, e o líder do governo na Câmara, Ricardo Barro (PP-PR). O outro, centrado nos militares, seria comandado pelo secretário executivo do ministério, Élcio Franco, segundo a CPI.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), então, listaram todos os militares que foram citados por Cristiano na CPI. 

“É muito importante dizer que tudo nos leva a crer que é uma briga de quadrilhas, de atravessadores de um lado, de agentes que queriam vender vacinas sem saber sequer se tinham, mas o que é mais grave: de outro lado, ninguém ali, num grupo de servidores do mais alto escalão, agora envolvendo o núcleo militar”, concluiu Tebet.

Confira a lista de coronéis citada na CPI e as funções na época:

  • Élcio Franco, coronel (Secretaria Executiva do Ministério da Saúde
  • Marcelo Blanco Costa, coronel (Assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde)
  • Cleverson Boechat Tinoco Ponciano, coronel (Coordenador-Geral de Planejamento do Ministério da Saúde)
  • Helcio Bruno de Almeida, coronel (Instituto Força Brasil)
  • Marcelo Pires, coronel (Coordenador do Plano Nacional de Operacionalização das Vacinas contra a Covid-19)
  • Glaucio Octaviano Guerra, coronel (Assessor do adido militar na Embaixada de Washington)
  • Guilherme Filho Odilon, coronel (Senah)
  • Roberto Ferreira Dias, sargento (Diretor de Logística do Ministério da Saúde)
  • Hardaleson Araújo de Oliveira, major da FAB

É necessário apurar rigorosamente os fatos, mas o que está sendo desenhado na CPI não é um retrato que dignifica a instituição Forças Armadas, cujos chefes – arrastados pelo canto de sereia do bolsonarismo – deviam tomar providências bem diferentes do que passar a mão na cabeça do indisciplinado general Pazuello e divulgar uma nota infame e ameaçadora contra o presidente da CPI, Osmar Oziz.

Agindo desta maneira, os chefes militares contribuem para ampliar as desconfianças e a desaprovação do povo, manchando um pouco mais a imagem das Forças Armadas. Afinal, fatos são fatos e não é sábio culpar os mensageiros quando não nos são agradáveis.

Com informações da Fórum

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