Sem categoria

Trabalhadores lembram 50 anos do golpe em Ato Sindical Unitário em SP

Os 50 anos do golpe militar e a repressão aos trabalhadores do Vale do Paraíba foram lembrados no Ato Sindical Unitário que ocorreu São José dos Campos na última quarta-feira (26).

A atividade organizada pelo GT “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical”, da Comissão Nacional da Verdade (CNV) – do qual a CTB e nove centrais sindicais são integrantes – e pela Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São José dos Campos.

O Vale foi umas das regiões em que os trabalhadores foram mais reprimidos dentro das fábricas, já que muitas empresas eram dirigidas pelos militares, como o CTA, Embraer, Avibras, Imbel e Engesa, a região foi transformada em área de segurança nacional.“Muitas empresas financiavam veículos, recursos para torturas e com informações aos órgãos de repressão, sobre os trabalhadores. Existia uma organização para sustentar o regime e essas empresas tem que ser punidas e responsabilizadas”, opinou Luiz Carlos Prates, o Mancha, da CSP/Conlutas e um dos organizadores do Ato.

O Ato ainda homenageou trabalhadores presos e perseguidos no período. “Companheiros foram mortos torturados, sindicalistas perseguidos e Sindicatos foram cassados. É importante que as Centrais se unam para pedir reparação e punição”, declarou João Batista Gomes, representante da CUT. Para Ismael de Souza, representante da CSB, o alvo do regime militar foi a classe trabalhadora.

A atividade contou com a participação de representantes de Sindicatos da Região como Décio Moreira Neto, do Sindicato de Água e Esgoto de São José dos Campos e Região, da Intersindical; José Lucas dos Santos Filho, diretor do Sindicato da Saúde de São José e Região, da UGT, e Luiz Carlos da Silva do Sindicato dos Químicos de Lorena, da Força Sindical, que disse enfrentar a resistência militar ainda hoje em fábricas da região.

Estudantes

O Ato Sindical Unitário no Vale do Paraíba teve participação importante de alunos de escolas Estadual e Municipal de São José. Os estudantes assistiram aos depoimentos e testemunhos de trabalhadores atingidos pela repressão. “Muitos jovens morreram na luta armada, muitos assassinados durante sessões de tortura. A juventude é revolucionária. É importante que os jovens de hoje conheçam essa história”, ressaltou Raphael Martinelli, membro do CGT-1964 e representante da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”.

Depoimentos

A segunda parte da atividade foi marcada por colhida de depoimentos de ex-presos e perseguidos políticos para a Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São José dos Campos.

“Estamos colhendo depoimentos de diversos trabalhadores de empresas, que foram duramente reprimidos e perseguidos pela repressão militar”, declarou a presidente da Câmara e ex-perseguida política Amélia Naomi. O material também será utilizado pelo GT. 

Outras informações sobre o trabalho do GT no site do Grupo de Trabalho “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical”

Compartilhar: