Ex-escrava norte-americana é a primeira mulher a estampar uma cédula de dólar nos EUA

A ex-escrava Harriet Tubman (1822-1913) tornou-se a primeira mulher a estampar uma cédula de dólar. Tudo começou através da campanha desenvolvida pela ONG Women On 20s, que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, uma mulher na cédula de US$ 20.

“Fatos como esse mostram que a população está mudando a sua forma de entender tanto a história, quanto o desenvolvimento da humanidade”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção de Políticas de Igualdade Racial a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Escolhida por mais de 600 mil pessoas, Harriet venceu a ex-primeira-dama Eleonor Roosevelt e a ativista do movimento negro Rosa Parks, que deflagrou uma importante luta pelos direitos civis dos negros ao se recusar a ceder lugar a brancos em ônibus, em 1955. Ela foi presa por descumprir a lei que separava assentos de negros e brancos nos EUA.

Harriet Tubman foi libertada em 1849 e participou ativamente das campanhas pela abolição, organizando resgate de escravos. Atuou como espiã na Guerra Civil (1861-1865), que acabou pondo fim à escravidão nos Estados Unidos. Além de abolicionista, ela fez campanha pelo voto feminino.

Então, o Tesouro norte-americano acatou o resultado da eleição, comandada pela Women On 20s. Por isso, de agora em diante Harriet substituirá o ex-presidente Andrew Jackson (1829-1837), nas notas de US$ 20.

Para Mônica, esse ato recupera o “valor da mulher negra na história e no contexto atual, colocando-as como protagonistas na resistência ao machismo, ao fascismo  e às discrimnações no mercado de trabalho, que assombram a América Latina e o mundo”.

“É importante ressaltar o papel da cultura nisso tudo”, ressalta. Ela explica que nos EUA a cantora Beyoncé, por exemplo, “tem causado furor ao assumir sua negritude e defender a igualdade de direitos, denunciando a violência policial contra a juventude negra, entre outras questões”.

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Já no Brasil, diz ela, “os artistas estão fazendo muito mais que o seu papel, levando a cabo a defesa da democracia, dos direitos coletivos e individuais e dos interesses nacionais”. Além de “levar conhecimento para a população”. Ela cita o trabalho feito por Tico Santa Cruz, como exemplo.

Mônica acredita que “as pessoas estão evoluindo, tanto aqui como nos EUA, não pela mão do Estado, mas pelo engajamento desse pessoal envolvido com o trabalho da cultura, que tem proporcionado condições de enriquecer o debate sobre que futuro queremos para nossos filhos”.

Assista clipe de O Morro Mandou Avisar (Flávio Renegado e Tico Santa Cruz)

 

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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