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Estudante negra de jornalismo é discriminada por professor em sala de aula

Uma estudante de jornalismo, negra, 20 anos, de uma universidade conceituada da região Nordeste, denuncia ao portal R7 a atitude racista de seu professor de Comunicação e Expressão Oral. O professor graduado em fonoaudiologia falou que ela nunca será âncora de telejornal por causa de seu cabelo étnico afro.

“Quando eu estava passando o texto na bancada, ele disse que, por conta dos padrões, o meu cabelo chamaria mais atenção que a notícia, por ser black e descolorido, e que dessa forma eu me encaixaria melhor como moça do tempo ou repórter”, contou a estudante.

Para a secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, a ofensa aconteceu por causa da invisibilidade de negros e negras na mídia e na sociedade.

“Em todas as formas de comunicação, a população negra quase nunca aparece e quando aparece é desqualificada. Seja em novelas, livros didáticos, publicidades. Parece que não existimos ou só existimos em situações degradantes”, diz.

Ao assistir à novela “Pega pega”, da TV Globo, ela conta que uma personagem negra é agredida. “Parece que para naturalizar a violência contra a mulher e mais ainda mulher negra”, afirma. “Na ‘Malhação’ até tocam no tema da misoginia e do racismo, mas banalizam completamente, ao ponto de se julgar tudo natural”.

Então esse professor universitário, de acordo com Custódio, retrata a realidade de onde ele vive. “A população negra não pertence àquele lugar, à universidade, aos meios de comunicação, onde prevalece o padrão de beleza europeu”.

A sindicalista acentua que “além de ser mulher e negra, a estudante é pobre”, pois ela é estagiária, como mostra a reportagem do R7 e ganha R$ 510 por mês e paga uma mensalidade de R$ 669,90 com ajuda da família. “Ela sofre triplo preconceito”.

A jovem conta ainda que procurou a escola antes de denunciar à imprensa, mas a escola não a acolheu. Ela denuncia ainda a falta de solidariedade dos colegas. “Enquanto isso, o professor fez reuniões com os alunos da sala. Eles começaram a me tratar com indiferença. Ninguém mais olhava na minha cara e eu me sentia muito mal. Criaram até uma hashtag #nãohouveracismo para colocar em publicações que comentavam o caso. O curioso é que as estudantes que defendem o professor não estavam na sala de aula no dia (20/5) e são as mesmas que pegam carona com ele”, conta ela.

“Fatos como esse dão nitidez ao racismo brasileiro, forjado ideologicamente desde a escravidão, mas persiste para justificar a desigualdade e a injustiça social”, reforça Custódio. “E ainda insistem em dizer que não há racismo no Brasil”, ironiza.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Arquivo Pessoal

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