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Espírito Santo vive estado de calamidade pública e governo decreta intervenção federal

Desde que as mulheres dos policiais militares iniciaram um movimento de protesto contra as condições de trabalho e os baixos salários de seus maridos, no sábado (4), a população do Espírito Santo vive um clima de terror jamais visto no estado.

O governador em exercício César Colnago, do PSDB, acaba de decretar intervenção federal na segurança do estado. Desde ontem 1.000 soldados do Exército e 200 da Força Nacional de Segurança Pública policiam as ruas da Grande Vitória.

Os protestos da população crescem. Os policiais militares estão se entregando para ficarem presos nos quarteis, a polícia civil entrou em greve nesta quarta-feira (8), com ameaça de prolongar a paralisação.

O governador licenciado Paulo Hartung, do PMDB,  deu entrevista nesta manhã afirmando que a paralisação dos PMs é ilegal. “É uma chantagem o que está acontecendo no Espírito Santo e se nós, capixabas e brasileiros, não enfrentarmos de frente, hoje isso acontece aqui no estado e amanhã no restante do Brasil”.

“Temos um impasse. Se temos algum responsável por essa situação caótica é a insensibilidade do governo em não negociar”, disse Thiago Bicalho, da Associação dos Cabos e Soldados a Polícia Militar do Espírito Santo.

Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Espírito Santo (CTB-ES), Jonas Rodrigues de Paula, afirma que “a população está enclausurada em casa com medo de sair para a rua”.

Ao completar 5 dias de paralisação, escolas e postos de saúde continuam fechados, a maioria do comércio também e os ônibus pararam de circular novamente. “As pessoas estão enfrentando filas imensas nos supermercados para estocarem comida, já ocorre falta de produtos”, diz Josandra Rupf, dirigente da CTB-ES.

Ela conta que um policial civil foi assassinado, o que gerou mais revolta entre os policiais. Já são mais de 90 mortos e as forças que estão fazendo a segurança nas ruas mostra despreparo como um vídeo, que viraliza na internet, mostra (assista abaixo). 

Esposa de policial, a manifestante Thamires da Silva disse ao G1 que espera o diálogo com o governo. “Queremos antecipar o diálogo o quanto antes. Nossa pauta pede o reajuste de 43% referentes aos últimos três anos em que isso não aconteceu, além da anistia dos PMs para que eles não sofram retaliações. Só após essas duas exigências serem aceitas, poderemos negociar a saída dos policiais”.

Reivindicações dos PMs:

– Melhores condições de trabalho;
– Melhoria em frota sucateada;
– Reajuste salarial: correção de 7 anos de perdas pela inflação, mais ganho real de 10%;
– Auxílio-alimentação;
– Adicional por periculosidade;
– Adicional por insalubridade;
– Adicional noturno
– Plano de saúde
– São obrigados a pagar viatura quando ela bate, mas não recebem adicional por serem também motoristas de viatura.
– Fazem revezamento de coletes muitas vezes indo para casa sem colete (alegam risco no caminho casa – trabalho – casa).

O presidente da CTB-ES defende a imediata negociação para pôr fim ao impasse criado. “O governo precisa ser menos intransigente e sentar à mesa com os representantes do movimento para que as famílias capixabas possam ir e vir sem medo”.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: revista Veja

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