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Entrega de medalha ao Sindimetal-Rio se transforma em ato pela democracia

Rio de Janeiro e Brasília viveram um triste dia nesta quarta-feira (24), com forte repressão aos trabalhadores e retirada de direitos. Na trincheira da resistência, na mesma Alerj que votou no dia anterior contra os servidores públicos, o Sindimetal-Rio recebeu a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Casa, pela passagem dos seus 100 anos, através de uma iniciativa da deputada estadual Enfermeira Rejane.

Foi a própria deputada que abriu os trabalhos e deu o tom do dia, quando denunciou que mais uma vez o governador do Rio, Pezão, alinhado ao golpista de Temer, ataca os direitos dos trabalhadores. Através da pressão, a maioria dos deputados estaduais aprovou o aumento da alíquota previdenciária de 11% para 14%, “uma proposta que não dar qualquer indicação para a saída da crise – política, social e ética – do Rio de Janeiro, que agora taxa ainda mais aposentados, servidores e pensionistas, que já estão com salários atrasados”. E completou: “Temos que estar nas ruas para resistir e lutar pelas diretas já”.

O presidente do Sindicato, Jesus Cardoso, fez questão de destacar o empenho não apenas da atual diretoria, mas também das passadas, que ajudaram a construir a entidade. Também fez questão de lembrar a atual situação política brasileira: “Esse é um momento único para o Sindimetal-Rio, que completou 100 anos. Porém vivemos a pior crise no país, política e economicamente, temos uma elite que destrói o país e que não olha para os trabalhadores. Queremos que esse governo saia, vamos para as ruas cobrar eleições diretas. Essa homenagem pelo nosso centenário é muito importante e vamos dar nas ruas a resposta. Vamos fazer uma greve geral até esse governo Temer cair e barrar as reformas que retiram direitos dos trabalhadores”.

Para o secretário-geral do Sindicato, Jorge Gonçalves, “a nossa categoria vai se manter de pé e resistir. Nossa categoria é histórica, nos manteremos de pé sempre”.

Já o representante da CTB-RJ, Carlos Oliveira, o que se viu no dia anterior foi uma violenta repressão aos trabalhadores e aos movimentos sociais a partir do governo golpista de Temer. “Precisamos substituir não apenas o governo, mas criar outro programa, com diretas já, defesa da soberania nacional, do emprego e da classe trabalhadora”, declarou.

O presidente do PCdoB-RJ, João Batista Lemos, condenou veementemente os arbítrios cometidos por Michel Temer, que colocou o exército nas ruas para reprimir trabalhadores que se manifestavam contra o Governo, em Brasília, na última quarta-feira. Para ele, é urgente e necessário articular a luta popular pelo restabelecimento do estado de Direito e em defesa dos direitos sociais.

Também participaram do ato o presidente do Grêmio dos Aposentados Metalúrgicos, José Ferreira Nobre, os deputados estaduais Waldeck Carneiro, Zeidan e Gilberto Palmares, além de diversos diretores do Sindimetal.

A solenidade homenageou vários ex-presidentes do Sindicato e o atual, que recebeu a Medalha Tiradentes das mãos da deputada Rejane:

Benedicto Cerqueira (In Memoriam) – Em 1953, foi eleito presidente do Sindicato. Durante sua gestão foi construída a sede atual Sindimetal-Rio, em Benfica, o Palácio dos Metalúrgicos, quando cada trabalhador doou um dia do seu trabalho. Liderança histórica da categoria e grande articulador teve papel decisivo nas mobilizações e paralisações em favor da aprovação da lei do 13º salário em 1962. Esteve à frente da entidade até 1964, ano do Golpe Militar. Foi dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI), do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e da Federação Sindical Mundial (FSM). Deputado federal de 1963 a 1964 foi cassado pela ditadura, tendo que exilar-se na Tchecoslováquia, Chile e Panamá. Faleceu em 1982.

Oswaldo Pimentel – Foi presidente do Sindicato de 1977-1984. Os anos 80 foi uma época de forte crise econômica. Neste período o Sindimetal se destacou nas lutas contra a recessão e o desemprego, defendeu a autonomia sindical e a convocação da constituinte.

Valdir Vicente de Barros – Foi presidente do Sindicato durante os anos de 1970 e 1973 e também entre 1984 e 1987. Ainda diante da crise econômica, o Sindicato fez forte defesa do emprego e do pagamento dos salários atrasados, com fábricas ameaçadas de fechar, e realizou diversas greves. Também dinamizou os departamentos jurídico e médico e as atividades sociais da entidade.

Washington Costa (In Memoriam) – Presidente do Sindicato nos anos de 1987-1990. Militante desde os 17 anos, Washington lutou com afinco contra a ditadura militar e fez uma gestão de muitas lutas e greves no Sindimetal-Rio após vencer o conservadorismo que se encontrava enraizado no sindicato, assumindo, em 1990, a Presidência da Central Única dos Trabalhadores do Rio de Janeiro (CUT-Rio).

Carlos Manoel (In Memoriam) – Metalúrgico da empresa Schindler, foi presidente do Sindimetal-Rio por dois mandatos (1990 a 1996). Dedicou sua vida ao movimento sindical e ao Partido dos Trabalhadores (PT), sendo da Executiva do PT-RJ. Também participou da Pastoral Operária. Atualmente era secretário executivo do governo municipal de Maricá.

Luiz Alberto Albuquerque Chaves – Foi presidente do Sindimetal-Rio de 1996-2002. Destacou-se na luta em defesa do setor naval, em um período que esta indústria estava em declínio. Foi um dos articuladores pela criação da Secretaria Estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo em 1999.

Mauricio de Mendonça Ramos – Foi presidente de 2002 a 2008. Ingressou no movimento sindical em 1979 durante a greve do estaleiro Mauá. Durante sua gestão destacou-se na luta pela reativação do setor naval.

Jesus Cardoso – Atual presidente do Sindicato (Gestão 2015-2019). Funcionário do estaleiro Rio Nave durante 15 anos, tendo passado por outras empresas menores, Jesus assumiu a presidência do Sindimetal em julho de 2015. Um dos desafios da atual gestão é enfrentar a crise econômica brasileira, que tem custado o emprego de milhares de metalúrgicos. Além disso, tem lutado para impedir que os patrões aproveitem o momento para retirar direitos históricos dos trabalhadores.

Da CTB-RJ

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