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Entre bombas e balas de borracha, Alerj aumenta alíquota previdenciária dos servidores

Ao som de explosões e tiros de balas de borracha, por 39 votos a 26, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou nesta quarta-feira (24) o aumento da alíquota previdenciária dos servidores públicos de 11% para 14%. A medida é amplamente rejeitada pela população do Estado e demonstra a total falta de sintonia entre o governo do PMDB e o povo Fluminense. Humberto Lemos, vice-presidente da CTB-RJ e presidente do Sintsama-RJ, lembrou o porquê da manifestação e defendeu a derrubada do governador do estado e do presidente da República.

“Nós ocupamos o espaço para não deixar passar o pacote de maldades do pezão porque ele é um crime contra o estado do Rio de Janeiro. Deixamos de ir para Brasília para não enfraquecer o ato aqui no Rio de Janeiro. Os trabalhadores da CEDAE e do INEA estão aqui para impedir esse ato criminoso contra o povo do Rio de Janeiro e para arrastar e tirar esses deputados e esse governador do Palácio do Guanabara e da ALERJ. Seja agora, ou nas eleições, o povo não aguenta mais esse desgoverno. Fora Pezão e Fora Temer.”

A cetebista Lívia Fernandes, diretora do SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação) denunciou a grave situação na qual se encontra a educação do Estado e refutou a justificativa que coloca nos servidores públicos a conta da crise.

“A educação passa por uma grave crise causada por esse desgoverno. Temos diversas escolas sem professor e diversos professores sem escola. A situação é tão grave que o governo divulgou uma circular interna orientando as metros e as regionais a realocarem os professores em outros municípios. Com isso, os professores têm que se dividir entre 4 e 5 escolas, pagando até R$ 30 de passagem para poder dar conta da sua carga horária. Ao mesmo tempo temos um quadro de falta de professores, por isso essa economia e esse esticar dos companheiros. Nosso salário está achatado desde 2014, as condições das escolas estão péssimas e não há nenhuma condição de construir saber em salas de aula lotadas em sem nenhuma estrutura. Além disso temos falta de merenda, dificuldade no riocard dos estudantes, fechamento de turnos noturnos, fechamento de turmas, fechamento de escolas, gerando os estudantes perderem horas no deslocamento par as salas de aula onde eles nem sabem se irão encontrar professor. Essa é essa, é muito dramática e estamos lutando para resistir pois não há possibilidade de cairmos nessa história de que a culpa é do funcionário público e do trabalhador, a culpa é desse desgoverno que acontece na educação.”

O Tesoureiro da CTB-RJ, Mário Porto, considerou que impedir a aprovação da aumento da alíquota previdenciária seria o ponto alto para rearticulação da luta dos servidores do Estado:

“Hoje, com essa votação do aumento da alíquota previdenciária o ponto alto do pacote de maldades do Pezão e barrar essa votação é o marco principal pra gente recompor o fôlego do servidor público do Estado e, a partir daí, tirar a CEDAE desse conluio de interesses.”

fora pezao

Enquanto os deputados se preparavam para votar, o ato seguia em frente à ALERJ. Idosos que tiveram seu riocard cancelado pelo governo do PMDB, estudantes que resistiram à tentativa de cancelamento do passe livre e trabalhadores que sofrem com os ataques de Pezão e Dornelles se uniam e aguardavam o cumprimento da liminar que garantia o acesso dos trabalhadores ao plenário. No entanto, isso não foi possível de acontecer.

A falta de compromisso com a democracia dos governos do PMDB mais uma vez falou mais alto. Os ataques da polícia militar e da força nacional aos trabalhadores mais uma vez ganharam as ruas do centro da cidade. A votação que tirou direitos dos servidores públicos se deu simultaneamente ao ato que reunia milhares de servidores públicos estaduais para protestar contra o pacote de maldades do governador Pezão. O ato, que se concentrava pacificamente até as 15h, foi subitamente coberto de bombas de gás lacrimogêneo das forças de repressão que compareceram ao ato com armas, veículos de guerra e toda sua força desproporcional a serviço de golpes na classe trabalhadora.

Conforme as agressões se intensificaram, houve correria e algumas pessoas ficaram feridas. A frequência de bombas aumentou e a polícia começou a cercar o caminhão de som e os manifestantes. O número de manifestantes caiu rapidamente, e a organização decidiu substituir o ato parado por uma caminhada. Porém, até mesmo quando a ato se dispersava, a violência mais um vez foi usada, iniciando uma onda de perseguições pelas ruas do Rio de Janeiro.

A CTB-RJ está presente na atividade, que é coordenada pelo MUSPE – Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais.

Mais tarde, na Cinelândia, centenas retornam às ruas para exigir Fora Temer e Diretas Já

Depois de horas de perseguições e violência policial, centenas de manifestantes voltaram ao centro da cidade para um segundo ato marcado para o mesmo dia. Seu potencial de mobilização era enorme, mas a repressão do governo do Estado acabou por impedir que o protesto fosse maior. Organizado pela Frente Brasil Popular, o ato da Cinelândia tinha como bandeira de luta o Fora Temer e as Diretas Já.

A manifestação ocorreu de forma pacífica, com microfone aberto par as lideranças que não economizaram nas críticas ao governo do Estado e ao autoritarismo do governo federal que chegou ao cúmulo de chamar as forças armadas para defender o mandato ilegítimo.

O Presidente da CTB-RJ esteve presente nas duas atividades e fez uso da palavra para apontar que somente através das eleições diretas o país pode retornar ao caminho da normalidade democrática. Leite também criticou a aprovação da alíquota que aumentou a contribuição dos servidores e a repressão da polícia militar:

“Estamos na rua, no dia de hoje, pois nós não aceitamos que a crise seja jogada na conta dos trabalhadores e não será a repressão que irá nos tirar das ruas. É inaceitável a aprovação do aumento de alíquota dos servidores públicos. Nós seguiremos nas ruas contra o pacote de maldades do Pezão e também pelo Fora Temer e pelas Diretas Já.”

Em Brasília, dirigentes da CTB-RJ se unem aos 150 mil brasileiros que exigem Fora Temer e Diretas Já

Em Brasília, mais de 50 ônibus do Rio de Janeiro se uniram à grande marcha das centrais sindicais. O ato foi gigantesco e reuniu trabalhadores de todos os cantos do país que se uniram contra o governo golpista de Michel Temer e decidiram lutar por eleições diretas e pela democracia.

O Secretário de Imprensa e Comunicação da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias, avaliou o ato que foi duramente reprimido pelas forças de repressão comandadas pelo golpista Michel Temer:

“Hoje Brasília e o Brasil viveram um dia histórico. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras que vieram de todos os estados do país marcharam rumo a Praça dos Três Poderes para exigir o fim desse governo golpista e eleições diretas já. Bandeiras de todas as centrais e partidos políticos do campo popular e democrático tremulavam ao vento dando um brilho especial a esta grande marcha da classe trabalhadora. Sob os gritos de Fora Temer e diretas já o povo seguia pacificamente rumo a Praça dos Três Poderes. As lideranças se revezavam nos carros de som e enquanto a marcha seguia nós íamos tentando saber o que se passava tanto dentro do Congresso como nas proximidades do local do ato final dessa gigantesca Marcha. Mas mais uma vez prevaleceu a força. O governo Temer, que está podre, que se sustenta na força da repressão e nas páginas dessa imprensa venal comandada pelo sistema Globo, junto com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, mandaram despejar toneladas de bombas sobre os trabalhadores. A avaliação que podemos extrair dessa atitude é que esse governo está podre mesmo e pode cair a qualquer momento. Podemos também afirmar que eles perderam a narrativa e hoje de norte a sul, de leste a oeste do nosso país o povo quer que esse governo acabe e tenha novas eleições. Vamos continuar mobilizados. A repressão não vai nos tirar das ruas. Perseverança e unidade devem ser nossas palavras de ordem. Fora Temer. Diretas já.”

Por José Roberto Medeiros, da CTB-RJ

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