Sem categoria

Em São Paulo, saúde e educação valem menos do que asfaltar ruas. Qual sua opinião?

A prefeitura de São Paulo prevê gastar neste ano, R$ 550 milhões (sem gastos administrativos e salários) parar tapar buracos de ruas. Como parte do programa Asfalto Novo, aprovado em outubro, o prefeito João Doria (PSDB) pretende recapear 400 quilômetros de ruas até junho (prazo final para o desligamento de políticos em exercício para concorrer à eleição).

Até aí nada demais. O problema começa quando são analisados os orçamentos destinados à educação e saúde para 2018. Em saúde, a prefeitura irá investir R$ 545 milhões (contando gastos administrativos e salários) e R$ 168 milhões em educação. “Precisamos mobilizar a sociedade para obrigarmos os governantes a tirarem a sáude e a educação da UTI”, diz Milton Sanches, secretário de Saúde da CTB-SP.

“O prefeito da maior cidade do país prefere tapar buracos de ruas e deixar crateras na saúde. Isso ainda vai custar muito caro”, afirma. “Nós da CTB pensamos justamente contrário a isso, porque investimentos em saúde e educação devem ser prioridade absoluta”.

Já Claudete Alves, presidenta do Sindicato dos Educadores da Infância (Sedin), acredita que “tudo é uma questão de prioridade. Para as educadoras e educadores da infância, é muito mais importante investir nas áreas sociais”. Para ela, “sem saúde ninguém faz nada e sem educação não há evolução humana”.

Além disso, a administração municipal remanejou R$ 192 milhões, que eram destinados a corredores de ônibus, para o asfalto. Ainda de acordo com a prefeitura, R$ 310 milhões, para as ruas, virão das multas de trânsito na capital.

Além do mais, reforça Alves, “tirar dinheiro dos corredores de ônibus é andar na contramão, porque os maiores centros urbanos do mundo estão investindo em melhorias no transporte coletivo. Já em São Paulo privilegia-se o transporte individual”.

A sindicalista entende a importância de recapeamento de ruas, mas não aceita que os gastos com asfalto sejam maiores do “que o orçamento destinado às nossas crianças. Isso significa uma inversão de valores que prejudica a maioria da população que anda de ônibus e precisa de mais escolas e hospitais”.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Jaques Valquer/Agência O Globo

Compartilhar: