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Em audiência no Senado, a CTB pede urgência contra a ofensiva racista no continente americano

A Comissão dos Direitos Humanos do Senado Federal realiza nesta terça-feira (4), a audiência pública “Grandes vultos, o legado de Abdias Nascimento”. Presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), a audiência conta com a participação de representantes do movimento negro de todo o país.

Para Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a participação da central nessa audiência é fundamental para o fortalecimento da resistência às medidas recessivas do governo golpista.

“Mesmo com uma conjuntura desfavorável, os povos negros do continente americano devem unir-se para barrar a ofensiva reacionária, racista, sexista e homofóbica e colocarmos nossas pautas em defesa da vida de nossa juventude e da igualdade de oportunidades”, afirma.

“Esse desgoverno pretende aprofundar o racismo e todas as políticas repressivas contra os interesses da classe trabalhadora e da maioria da população. E sempre os negros e negras são os primeiros a sentirem esses efeitos pernósticos na vida do país”, diz.

Assista transmissão completa pela TV Senado 

Com a presença do escritor nigeriano Wole Soyinka, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1986, os debates giraram em torno das Convenções A-68 e A-69 da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Uma das principais preocupações da sindicalista carioca refere-se à urgência de o Brasil ratificar essas convenções que combatem todas as formas de discriminação, intolerância e que a integração étnica e racial seja respeitada em todos os espaços do poder constituído.

Atente para a poesia dessa menina adepta de uma religião de matriz africana 

 

Para Custódio, “participamos desta audiência pública também para pautar a reivindicação do movimento negro e debater as formas de reparação aos negros descendentes dos seres humanos escravizados durante quase 4 séculos neste país”.

Ela defende que o Estado brasileiro reconheça a necessidade dessa reparação. “É importante também dar visibilidade aos negros e negras aprofundando a democracia no continente, porque a crise econômica chegou para valer na América Latina e as consequências são sentidas pelos negros e negras nas manifestações raciais cada vez mais contundentes nas ruas e nas redes sociais. Precisamos dar um basta em tudo isso”.

Assista documentário sobre a trajetória de Abdias Nascimento 

Como um dos mais importantes ativistas em defesa da igualdade racial no país, Abdias Nascimento teria completado 100 anos no dia 14 de março de 2015, não tivesse falecido em 23 de novembro de 2011, aos 97 anos.

Nascimento foi importante nas artes, na política, no mundo acadêmico e no movimento social. “Uma referência fundamental para o movimento negro em todos os aspectos, por ter estudado as questões referentes à nossa história e na luta por igualdade”.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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