Dirigente da CTB-PE é detido em paralisação de metalúrgicos

Os metalúrgicos que trabalham na construção do Estaleiro Atlântico Sul, no complexo portuário de Suape, paralisaram suas atividades na manhã desta segunda-feira (22), para pedir melhorias nas condições de trabalho. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) em Pernambuco participou da mobilização em apoio aos trabalhadores e encabeça as negociações para que o ciclo de desenvolvimento continue no Estado.
   
A paralisação começou por volta das 6h da manhã, quando alguns trabalhadores, acompanhados de sindicalistas, foram até os portões do Estaleiro convocar os demais companheiros para a mobilização. “O primeiro ônibus com trabalhadores conseguiu passar, mas o segundo, nós já seguramos”, declarou um dos diretores da CTB/PE, Moacir Paulino.

Moacir colocou o seu carro atravessado na pista que dá acesso ao Estaleiro e conseguiu parar o segundo ônibus que trazia os trabalhadores. “Eu subi no coletivo, sem agredir ninguém, nem física, nem verbalmente, expliquei o motivo de estarmos fazendo aquele ato e eles decidiram aderir”, comentou.

A policia foi chamada para conter os ânimos e, por ter parado o ônibus, Moacir acabou detido. “Apreenderam, inclusive, a minha kombi”, disse ele referindo-se ao veículo que usou para fechar a estrada. Ele foi levado para a Delegacia do Cabo e o carro para o Posto da Polícia Rodoviária. Cerca de uma hora e meia depois, Moacir foi liberado e voltou para a frente do Estaleiro.

No início da tarde, tentou se formar uma comissão para negociar com os responsáveis do Estaleiro Atlântico Sul. Eles afirmaram que só fariam qualquer tipo de negociação se os trabalhadores retornassem aos seus postos. Já os metalúrgicos disseram que só voltariam a trabalhar depois das negociações.

A CTB/PE e os trabalhadores prometem voltar, nesta terça-feira (23), para frente dos portões do Estaleiro e continuar a paralisação até que os direitos funcionários sejam garantidos.

Uma decisão política

Moacir Paulino explicou que a CTB/PE, assim como tantas outras entidades, acreditam no potencial transformador do Estaleiro Atlântico Sul. Principalmente, no que diz respeito à geração de emprego e renda.

Ele comentou que, justamente por este motivo, o partido e a central sindical decidiram que ele deveria acompanhar o tratamento que está sendo dado aos trabalhadores e profissionais envolvidos na obra. Para que nenhum desrespeito ou descumprimento de lei se torna uma prática entre as empresas responsáveis pela construção do Estaleiro.

“Ao chegar lá, comecei a organizar reuniões com os trabalhadores para detectar as deficiências no exercício de suas funções”, disse Moacir. Segundo o diretor da CTB, as reclamações não foram poucas. “Descobrimos que os únicos benefícios a que estes trabalhadores têm direito são o salário, que é de R$ 520, abaixo do estipulado para o tipo de serviço que eles desempenham, e o plano de saúde, que mesmo assim não se estende a toda a família. Somente ao trabalhador”, completou.

Compareceram à reunião do último sábado (20), mais de 150 metalúrgicos e ficou decidido que a paralisação aconteceria nesta segunda-feira (22). “Os trabalhadores nos disseram que eles já tinham a intenção de fazer esta mobilização, mas não se sentiam confiantes para atuar junto ao Sindicato dos Metalúrgicos. Então, quando nós trouxemos as propostas da CTB, eles se sentiram seguros”, afirmou Moacir.

Betão fora das negociações

Empossado recentemente, por determinação judicial, como atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal), Betão não tem a confiança dos trabalhadores do Estaleiro Atlântico Sul para participar das negociações. Seu nome está envolvido em escândalos e acordos que lesam os profissionais da categoria.

Segundo representantes da CTB/PE, Betão chegou a ser chamado para participar da mobilização, mas não deu importância ao fato. Por conta disso, os metalúrgicos que trabalham no Estaleiro querem o presidente fora das negociações por melhorias nas condições de trabalho.

Quem encabeça as conversas com as empresas responsáveis pelo Estaleiro Atlântico Sul é Moacir Paulino. De acordo com ele, entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão: o reajuste dos salários de R$ 520 para R$ 800; o pagamento das taxas de Insalubridade ou Periculosidade, a criação da Comissão Interna para a Prevenção de Acidentes (CIPA); a elaboração de um Plano de Cargos e Carreiras; uma melhor alimentação e cestas básicas.

Do Recife,
Daniel Vilarouca

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