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CTB-PA realiza audiência pública para debater crime ambiental ocorrido em Barcarena

A CTB Pará realizou, na manhã da última quinta-feira (29), uma Audiência Pública para tratar dos impactos do crime ambiental ocorrido no Porto de em Vila do Conde (Barcarena), com o naufrágio de navio com 5 mil bois – carga viva. A carga pertencia à multinacional Minerva, com sede em Barretos (SP).

O navio, que além dos 5 mil bois transportava 700 toneladas de óleo, naufragou no dia 6 de outubro, em Barcarena, no nordeste do Pará. De acordo com a Companhia Docas do Pará  (CDP) o óleo pode chegar em outras praias da região. Três praias de Vila do Conde, o píer onde ocorreu o naufrágio e a praia de Beja, em Abaetetuba, foram interditados e proibidos para qualquer tipo de atividade.

Após vinte e três dias do ocorrido, ainda permanecem dentro do navio cerca de 4,5 mil carcaças dos animais afogados. Foram retiradas das praias mais de 300 animais mortos que deixou as escolas fechadas, comércios, bares, restaurantes e pousadas sem funcionarem devido ao forte mau cheiro e presença de gases metano e enxofre resíduos desse crime ambiental.

De acordo com José Marcos Araújo, presidente da CTB Pará, a economia está paralisada e há um forte jogo de empurra entre as autoridades. “O governo do Pará nada faz. O municipal se diz sem força ou estrutura para agir, a CDP -Cia Docas do pará tenta esconder sua responsabilidade, assim com os armadores donos do navio ou os exportadores do gado. Só quem de fato sofre é a população, que sofre sem renda, sem água, sem alimento – parou s pesca e catação de camarões e caranguejos por causa da poluição”, afirmou o sindicalista.

Durante a audiência pública foi denunciado também que apenas148 famílias estão cadastradas para receber indenização imediata – água mineral, cestas básicas e recursos financeiros de 1 salário mínimo, quando na realidade são milhares de pessoas atingidas. Estão fazendo cadastro com critérios definidos nas estruturas do estado e talvez dos “amigos do poder “. Foi exigido distribuição de agua para todos os atingidos, assim como de cestas básicas. Liberação imediata de bolsa verde, seguro defeso, bolsa família doutros programas emergenciais de distribuição de renda. “Somente os trabalhadores, o meio ambiente e a sociedade de Barcarena – mais uma vez – sofre com o ocorrido”, avaliou Araújo.

De acordo com os ambientalistas, a situação pode piorar se ocorrer o vazamento do óleo que permanecem submerso e podem afetar perigosamente o ecossistema trazendo destruição e prejuízos que podem perdurar por muito tempo. É um óleo pesado, que demora muito tempo para degradar e vir em forma de placas para a superfície. Nesse tempo estaria se misturando ao solo do leito do rio matando espécies animais e vegetais do ecossistema frágil do local.

Na avaliação do presidente estadual da CTB foi uma atividade vitoriosa, pois contou com vários setores da sociedade e líderes sindicais, políticos e autoridades. “Tivemos a presença de cerca de 350 pessoas que deu oportunidade a que todos expressassem suas opiniões e propostas”, afirmou Marcos Araújo.

Ao final do evento foi aprovado a proposta apresentada pela CTB e criada a Comissão Permanente de Defesa de Barcarena, que irá realizar ações e estudos visando combate ao presente quadro, propostas para estruturas perenes que evitem novos crimes ambientais e contra o povo de Barcarena. Assim como fiscalizar as ações imediatas para atender a população prejudicado pela falta de estrutura do Porto de Barcarena, pela falta de planos de prevenção, pelos erros da empresa armadora do navio naufragado e da empresa exportadora.

Portal CTB com CTB Pará

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