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Crise econômica norteia debates do 2º Conselho Nacional da CTB nesta quarta-feira (30)

Com a participação de mais de 300 delegados e delegadas de todo o Brasil, foram retomados na manhã desta quarta-feira (30), os trabalhos do 2º Conselho Nacional da CTB, iniciado a noite da terça-feira, em São Paulo.

A mesa coordenada pela secretária de Formação e Políticas Sociais, Celina Arêas, e pela presidente da Federação das Trabalhadoras Domésticas do Pará, Lucileide Mafra, deu espaço aos debates com um balanço do papel desempenhado pela CTB no último período. 

No que tange a atuação da Central, coube ao vice-presidente Nivaldo Santana destacar a relevância do atual momento político vivido, agravado pela crise econômica internacional, e no Brasil, com o plano orquestrado pela direta que  inconformada com a derrota tenta promover um ataque à democracia através do impeachment da presidente Dilma Rousseff, contrariando a vontade popular. “Eles ainda não se conformaram com a derrota nas urnas e tentam a todo custo reverter esse cenário e esse projeto colocado em construção a partir de 2002, com a eleição do presidente Lula”, analisou Santana.

Balanço positivo

Para o sindicalista, esse ambiente de crise política e da economia atinge diretamente os trabalhadores e demanda muita mobilização. Nesse sentido, o vice-presidente da CTB reforçou a importância de defender a democracia. “Eles querem ampliar as terceirização e as privatizações. Existe hoje um movimento para desestabilizar todos os movimentos e os recursos com verbas carimbadas para o desenvolvimento”. 

Para o dirigente, compete ao movimento sindical levantar as barreiras contra o plano da ala conservadora do Congresso Nacional, que não poupa esforços ao atacar os direitos dos trabalhadores. “No fundo o pretexto é liderar um programa neoliberal devastador, por isso que assim como defendemos a democracia temos que defender o patrimônio público e os trabalhadores. Assim a CTB se coloca nessa defesa”, afirma Santana.

Santana lembrou que todo esse cenário surte efeito no mercado de trabalho com o fechamento de postos de empregos e dificuldades nas campanhas salarias, que alcançam baixos índices de reajuste. “As negociações salariais estão mais difíceis. A média salarial de reajuste tem sido de 0,51% segundo Dieese. Situação que vai repercutir em outras categorias, a exemplo dos bancários. Por isso, a CTB faz a defesa do pleno emprego, que deve fazer parte do nosso plano de lutas”.

“Essas teses expressam com fidelidade as posições que temos construído ao longo da trajetória CTB. E o balanço que fazemos desse período é que a CTB tem uma atuação bastante expressiva na conjuntura do país. Portanto, o balanço é positivo”, afirmou Santana.

Movimento sindical

Severino Almeida, vice-presidente da CTB e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Aquaviario e Aéreo, na Pesca e nos Portos –Contimaff, fez uma análise da crise financeira mundial e da mobilização dos trabalhadores. “Estamos vivendo uma grave crise financeira, que pede uma resposta”. O marítimo acredita que e necessário uma mobilização com a organização do movimento sindical que garanta os direitos de todos os trabalhadores e nao apenas dos sindicalizados.  

Por fim, Severino balizou sua intervenção em quatros princípios prioritários para o avanço da classe trabalhadora: a liberdade e autonomia contra intervenção do estado; a defesa do conjunto dos trabalhadores; a contribuição sindical; e a unidade.

Na opinião do dirigente, a unicidade e primordial para evitar o sindicalismo por empresas. “Não podemos deixar de manter esses quatro princípios e lutando em sua defesa”, finalizou. 

Campo e cidades unidos

A defesa da atuação cetebista no segmento rural foi feita pelo secretário de Finanças e presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva, que apontou a importância de promover uma Marcha Nacional pela Reforma Agrária.

Para o dirigente, a luta dos trabalhadores rurais e dos urbanos deve ser apenas uma. “Como fizemos com o Grito da Terra, na Marcha das Margaridas (pelo fim da violência contra mulher no campo e na cidade), no festival da juventude, entre outros, estes são momentos em que nós participamos e contribuímos para aperfeiçoar essa democracia e o país que vivemos. Estas pessoas merecem nossa luta tanto no campo como na cidade”, ressaltou o dirigente rural.

E urgente que haja uma valorização da agricultura familiar, destaca o sindicalista. “Fico preocupado quando começamos a perder direitos. O ministro da Previdência afirmou que o sistema previdenciário dos trabalhadores urbanos tem superávit, enquanto o dos rurais é deficitário. Isso é preocupante, porque altera o cenário e acelera a saída do homem do campo pra cidade, que já é grande. São elementos que precisamos aprimorar e discutir”, preocupa-se Vilson Luiz.

Resistência

Seguindo a tônica das intervenções, Joílson Cardoso, vice-presidente da CTB e secretário Nacional Sindical do Partido Socialista Brasileiro (PSB), trouxe para o debate o impacto da crise mundial no cenário econômico brasileiro.

Para ele, a manutenção da equivocada politica econômica adotada pelo governo federal  penaliza trabalhadores e privilegia os grandes investidores. “Existe uma crise na política de coalizão que atrelada aos erros do governo e o crescimento da direita, alimenta a onda conservadora que se manifesta  à direita e mira longe. Mais do que derrubar a presidenta Dilma Rousseff, quer implantar o que sempre defendeu:  o ataque às organizações sociais”, alertou o socialista.

No que tange à corrupção Joílson Cardoso ressaltou que falta unidade, principalmente, das lideranças. “ No meu entender há uma ruptura no movimento sindical. Vimos uma divisão nas principais lideranças. Algumas são contra os movimentos de resistência que temos que fazer. O que acaba prejudicando a mobilização”.

Na opinião do sindicalista, é fundamental manter a resistência. “A CTB vai resistir, manter a unidade na diversidade. O papel das forças políticas é manter e fomentar a resistência e disputar na rua, em parceria com uma frente popular formada por movimentos sociais e sindical que por fim conseguimos vencer”, finalizou o dirigente da CTB.

Após as intervenções, o microfone foi aberto aos delegados e delegadas que contribuirão com emendas a serem incorporadas ao documentos final, que será aprovado na plenária de encerramento.

Cinthia Ribas – Portal CTB

 

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