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Chacina de Maricá: a CTB-RJ grita para que parem de matar nossos jovens

A CTB-RJ lamenta profundamente a morte de mais 5 jovens negros, desta vez na cidade de Maricá (RJ). Os jovens voltavam do show de encerramento de uma Bienal organizada pela União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Maricá quando foram rendidos e executados por um grupo armado, identificado por testemunhas como sendo “milicianos”. Cinco jovens, estudantes, com sonhos e um mundo a conquistar que tiveram a vida ceifada previamente por grupos militares paralelos ao Estado que já ceifaram a vida de tantos jovens nos últimos anos.

A violência que assolou os jovens de Maricá, desde o ano passado vem ceifando vidas na Rocinha. Mais 8 pessoas morreram nos confrontos na favela da zona sul carioca. A juventude negra, mais uma vez, nas páginas dos obituários e, com suas mortes, cada vez mais banalizadas pela mídia e pela população como um todo. Segundo números oficiais da Polícia Militar, em 6 meses, mais de 50 pessoas foram mortas somente na Rocinha. Esses números são inaceitáveis e refletem um estado onde a violência faz parte da rotina nas comunidades mais pobres.

Semana passada, a vereadora e militante dos direitos humanos Marielle Franco (PSOL) foi brutalmente executada em crime ainda sem solução. Marielle que combateu abusos da polícia e atuou no combate às milícias foi morta por suas ideias em um estado onde a morte de jovens, mulheres e negros tem se resumido às estatísticas. O governo responde com discurso e intervenção militar. Uma intervenção que serve para ganhar manchetes de jornal, mas como vemos, não traz resultados efetivos para o povo.

Oito foram os mortos na Rocinha, cinco os que foram assassinados em Maricá. Uma semana após a morte de Marielle Franco, somente em dois pontos do Estado foram 13 vidas ceifadas. Foram 13 famílias a chorar seus mortos. Mais 13 corpos para as estatísticas. A CTB-RJ enxerga com muita preocupação o caminho de violência que toma conta do Rio de Janeiro e, ao contrário do que dizem os governos do PMDB, não é com intervenção militar que resolveremos esse problema.

A desmilitarização das polícias, a construção de uma polícia civil e cidadã e o fim da criminalização da pobreza são caminhos necessários para uma segurança pública mais eficaz, mas isso só também não basta. Precisamos, para enfrentar os problemas de segurança que assolam não apenas o Rio de Janeiro, mas diversos entes da Federação, recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento e da geração de emprego e renda.

O Brasil e o Rio de Janeiro precisam lutar pela vida de seus jovens! Precisamos investir e criar oportunidades. Ocupar as comunidades não com blindados e tropas, mas com cultura, saúde e educação. Ocupar com dignidade e serviços públicos! Precisamos de mais investimento em inteligência, de colocar mais jovens nas escolas e universidades, de maior inserção no mercado de trabalho! É urgente a urbanização das nossas favelas: mais saneamento e acessibilidade para o povo trabalhador que vive nas diversas comunidades espalhadas pelo nosso Estado.

Chega de violência, de jovens assassinados e de crimes com motivação política! Paz nas comunidades e em todo o Rio de Janeiro! Dois caminhos estão à nossa frente: o Socialismo ou a Barbárie. Nós seguiremos na luta pelo Socialismo, pela dignidade do nosso povo, por uma sociedade mais justa e igualitária e pela vida da nossa juventude!

Rio de Janeiro, 26 de março de 2018

Paulo Sérgio Farias, presidente da CTB-RJ

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