As balas do latifúndio, ceifam vidas das lideranças dos camponeses.

Paulo Fonteles

Paulo Fonteles, sempre!
Carlos Cabral, presente!

Neste 11 de junho de 2020, período de crise sanitária, econômica, social e política, em que o Brasil, a partir de seu Governo Central, flerta com o fascismo, relembrar a história e luta do democrata e socialista Paulo Fonteles, que há 33 anos tombava pela bala do latifúndio, é uma justa homenagem na defesa da democracia e das mais amplas liberdades do povo. Dia em que completa, também, um ano do assassinato do líder sindical Carlos Cabral Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no Sul do Pará.

O advogado Paulo Fonteles, a convite da Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização da Igreja Católica, passa a defender os posseiros no Sul do Pará, em meados da década de 1970, na retomada dos Sindicatos rurais, à época, dirigidos pelos militares, para coloca-los na defesa e luta pela Reforma Agrária para os trabalhadores rurais. Região que atraia Fonteles, também, pela história da guerrilha do Araguaia, travada pelo PCdoB contra a ditadura militar.

O advogado dos posseiros, Paulo Fonteles, foi assassinado no dia 11 de junho de 1987, sendo cumpridas as ameaças da União Democrática Ruralista (UDR). Os mandantes do assassinato não foram levados a julgamento e permanecem impunes.

“Na atual quadra política, onde a cadela do nazismo está no cio, chocando o ovo da serpente do fascismo, é importante resgatar a vida, a luta e o legado de Paulo Fonteles”. Disse, José Marcos de Lima Araújo (Marcão), diretor do Sindicato dos Bancários do Pará e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB/Pará.

Para Érico de Albuquerque Leal, ex-Vice-Presidente da CTB/Pará, com Paulo Fonteles “se foi uma rica memória de um tempo heroico de resistência ao arbítrio, importantes ensinamentos, uma energia construtiva, uma inteligência sagaz, uma vida cheia de perspectivas e esperança, que o latifúndio covardemente apagou com três tiros”. Leal, afirma que Paulo Fonteles tinha lado, “o da classe trabalhadora, da democracia, do desenvolvimento social, do Brasil e do Socialismo”.

Carlos Cabral Pereira

Orlando Canuto, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria (STR), lembra que hoje (11), também, completa um ano do assassinato de Carlos Cabral, em pleno exercício na presidência do STR de Rio Maria. Afirma que “infelizmente um ano depois, não se tem nada de concreto para esclarecer mais este assassinato de liderança dos trabalhadores rurais no Sul do Pará”.

Canuto lembra que “Paulo Fonteles foi fundador do Sindicato em Rio Maria, junto com o pai (João Canuto), Expedito Roberto, Valdério, Robertinho, dona Oneide e outros trabalhadores e trabalhadoras rurais”.

O presidente Orlando Canuto, relembrou que na luta pela posse da terra e os direitos dos trabalhadores rurais, em Rio Maria, pelas balas do latifúndio “foram assassinados Belchior Martins (1982), João Canuto – seu pai – (1985), Braz e Ronan (1990), meus irmãos José e Paulo Canuto (1990), Expedito Ribeiro (1991) e no ano passado (2019) o presidente Cabral, imperando a injustiça”.

Reafirma Canuto, “nosso compromisso é de seguir lutando por justiça e pelos direitos dos trabalhadores rurais, em defesa da democracia e contra os intentos fascistas, no transcurso de um ano da morte do Cabral e dos 33 anos do assassinato de Paulo Fonteles”.

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