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Anistia celebra Dia Internacional da Mulher com sessão especial

O Ministério da Justiça realiza nesta sexta-feira (6), a partir das 9h, no Salão Negro, a 9ª Anistia Cultural, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher – comemorado em 8 de março. Uma turma especial só de conselheiras da Comissão de Anistia, sob o comando da vice-presidente Sueli Belato, vai julgar 17 processos de vítimas da ditadura e familiares.

É o caso de Denise Crispim, ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VRP), presa quando estava grávida de seis meses e que teve a liberdade trocada pela do marido, Eduardo Leite “Bacuri”, assassinado por policiais do DOI-CODI em 1970. A Comissão vai julgar os processos da mãe, do pai e do irmão de Denise, todos falecidos, além do companheiro Eduardo Leite.
 
“O evento homenageia mulheres de todo o mundo que não se calaram e não se calam diante de qualquer forma de repressão”, declarou Sueli Belado. “Quando a tirania invadiu lares, fábricas, escolas e igrejas, as mulheres comprometeram suas vidas, seus projetos e marcharam juntas com os que gritavam por liberdade e justiça para todos”.
 
Antes da sessão haverá uma breve palestra com a participação de três militantes históricas: a escritora Moema Libera Viezzer, a defensora dos direitos humanos Margarida Genevois e a historiadora Jessie Jane, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Elas falarão sobre o tema: “Memórias do Feminino: Vivências, Resistência e Protagonismo nas Lutas por Democracia”.
 
Anistia Cultural

Esta é a segunda vez que a Comissão presta homenagem às mulheres. No dia 7 de março do ano passado, a 2ª Anistia Cultural, também em Brasília, aprovou os pedidos de sete ex-militantes que atuaram contra a ditadura instalada em 1964.

O projeto pretende dar visibilidade a fatos históricos ocorridos durante o regime militar. O propósito é democratizar o acesso às informações, contribuindo para a formação cultural, humana e política dos jovens.
 
Eventualmente, promove também sessões de julgamento, como o que ocorreu no último dia 27, no Rio de Janeiro, quando foi concedida anistia política a ex-professores e ex-estudantes expulsos das universidades pelo decreto 477, de 1969.
 
Serviço
Assunto: 9ª Anistia Cultural – Dia Internacional da Mulher
Data: 06/03
Local: Salão Negro do Ministério da Justiça
Hora: 9h

 
O julgamento
 
A sessão especial da 9ª Anistia Cultural vai analisar os processos dos seguintes requerentes:
 
Danielle Ardaillon – natural da Argélia, foi naturalizada brasileira em 1986. Em 1971 foi detida e interrogada pelo Delegado Fleury e sua equipe por um dia inteiro. Foi duramente espancada. A requerente ficou presa por 55 dias isolada de todos, inclusive de seu filho, que necessitava de cuidados especiais.

Denize Peres Crispim – companheira de Eduardo Leite “Bacuri”. Militante da VPR, foi presa quando estava grávida de seis meses de Eduarda, sua filha com Bacuri. Sua soltura foi negociada mediante prisão do marido, visto por Denize pela última vez na prisão, desfigurado pelas torturas. Obteve asilo diplomático em 1971.
 
Eduardo Leite (marido de Denize Peres Crispim – post mortem) –
Foi militante da VPR e dirigente da REDE (Resistência Democrática). Participou dos sequestros dos embaixadores alemão e japonês. Preso, foi barbaramente torturado e assassinado pelos policiais do DOI-CODI em 08/12/70. Considerado desaparecido político pela Comissão de Morto e Desaparecidos Políticos.
 
Encarnacion Lopes Peres (mãe de Denize Peres Crispim – post mortem) – Militante política da VPR e do PCB. Seu marido, José Maria Crispim, foi perseguido político e exilado no México em 1964. Presa e torturada, Encarnacion foi banida de 1971 em troca do embaixador suíço no Brasil.
 
José Maria Crispim (pai de Denize Peres Crispim – post mortem) – Ex-deputado federal constituinte pelo PCB, teve o mandato cassado em 1947. Perseguido político, entrou no exílio em 1964, após expedição de mandado de prisão.
 
Joelson Crispim (irmão de Denize Peres Crispim – post mortem) –
Filho de Encarnacion Peres Crispim e de José Maria Crispim. Militante da VPR, foi assassinado em 22/04/70 pelos policiais do DOI-CODI. Vislumbra como desaparecido político pela Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos.
 
Carmen Helena Barbosa do Vale –
Esposa de Apolo Heringer Lisboa, foi perseguida politicamente. Teve prisão preventiva decretada e entrou na clandestinidade, quando foi compelida a sair do emprego. Exilou-se no Chile e depois na Argélia.
 
Conceição Imaculada de Oliveira – Foi detida diversas vezes, recolhida na penitenciária da Mulher em Belo Horizonte, e respondeu a vários processos. Em 1970, foi absolvida. Mesmo assim, em dezembro do mesmo ano figurou na relação de presos subversivos. Foi banida do território nacional em janeiro de 1971, trocada pelo embaixador suíço no Brasil.
 
Iara Xavier Pereira – Sofreu perseguição, como toda sua família, em razão de intensa militância política. Em 1968 a policia invadiu sua casa em busca de sua mãe, Zilda Xavier. Seus irmãos, Iuri e Alex, e companheiro, Arnaldo, foram assassinados. Sua mãe foi presa e o pai teve que exilar-se do país. Iara procurou refúgio no Chile e em Cuba.
 
Keilah Diniz – Perseguida política, foi demitida, no Acre, em razão de pressões que o reitor teria sofrido.
 
Lenira Machado – Com seu pai, foi acusada ainda muito jovem de participar das Ligas Camponesas. Teve a residência invadida e foi torturada pela equipe do Delegado Fleury.
 
Maria Regina Peixoto Pereira –
Foi presa e torturada. Demitida do Banco do Brasil por motivação política.
 
Maria do Socorro Cunha Campos – Presa em 1972, quando se dirigia para a USP, foi levada para o DOI-CODI, onde encontrou seu marido, Martinho Leal Campos, em uma sala de tortura. Foi transferida para o Presídio Tirandentes e teve que abandonar a universidade.
 
Marília de Carvalho Guimarães – Ativista comunista, conhecida pelo codinome “Mirian”, foi presa pela primeira vez em março de 1969. Depois de liberada fugiu com os filhos e outro companheiro que se escondia em sua residência. Retornando ao Rio de Janeiro, se apresentou ao DEOPS, onde foi imediatamente presa e submetida a várias torturas.
 
Renata Ferraz Guerra de Andrade –
Aprovada na USP em 1967 aos 20 anos, foi indiciada pelo DOPS acusada de pichação.
 
Rita de Cássia Grieco – Aluna da USP, Rita foi presa, torturada e demitida da COBRASMA em 1º de março de 1969.
 
Suely Muniz – Militante da Política Operária (POLOP). Presa diversas vezes e barbaramente torturada, respondeu a vários processos.

Fonte: Ministério da Justiça

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