Nota de apoio à paralisação dos motoristas rodoviários de Maringá – Paraná

A atual crise econômica, reflexo da pandemia global, demonstra algo que não é novo para a classe trabalhadora brasileira: o constante ataque aos seus direitos como falso requisito para a melhora econômica ou manutenção de empregos. O método é aplicado de maneira generalizada, englobando todos os que não compõem a burguesia, pelas reformas econômicas e, de maneira particular, em cada empresa. Em Maringá e região, o exemplo claro desse modo de operar é dado pela “TCCC” e “Cidade Verde” – empresas concessionárias do transporte público coletivo.

Em setembro de 2020, a categoria dos motoristas tornou pública a denúncia da redução do vale alimentação, salários e jornadas de trabalho em greve deflagrada após assembleia do SINTTROMAR (Sindicato dos Motoristas Rodoviários de Maringá). As medidas tomadas pela empresa foram justificadas pela queda de receita e consequente impacto financeiro. Apesar do retorno da atividade econômica do país – após um curto “lockdown” – as empresas de transporte continuam alegando problemas financeiros e, desta vez, não realizaram o pagamento dos salários da categoria. É importante lembrar que o risco da atividade econômica é exclusivo das empresas – que obtém lucro e subsídios públicos para exercê-la – e não dos trabalhadores, que cumpriram sua jornada de trabalho com a certeza do pagamento. Ademais, não foram apresentadas evidências da situação financeira das empresas.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Macrorregião do Noroeste do Paraná, acompanha com preocupação a situação e garante, desde já, apoio as decisões tomadas pela categoria. Destaca, entretanto, que qualquer decisão deve ser discutida por intermédio de organização legítima para este fim, que represente toda a categoria com responsabilidade e publicidade, ou seja, o Sindicato dos Motoristas Rodoviários de Maringá. Decisões tomadas por grupos sectários, que realizam o debate fora da esfera sindical e que participam de atos de acordo com a conveniência, podem prejudicar a categoria como um todo – como já se demonstraram equivocados aqueles que, em setembro de 2020, fizeram a defesa da empresa e atacaram o movimento grevista.

Temos concordância, também, com a postura do prefeito Ulisses Maia na condução das tratativas com a TCCC. O prefeito afirma que a atual situação pode levar a prefeitura a rescindir o contrato de concessão pela incapacidade econômica da empresa em prestar o serviço, e exigiu que esta apresente evidências da situação econômica nos próximos dias.

Somente a classe trabalhadora pode fazer enfrentamento à retirada de direitos historicamente conquistados, enquanto constrói a consciência de que a resolução dessas crises e suas consequências, de maneira definitiva, só pode ser realizada mediante a superação do modelo econômico-social capitalista.

 

Maringá, 08 de Fevereiro de 2021.

Representação da CTB – Macrorregião Noroeste do Paraná.

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