Em seminário, CTB debate sobre os desafios do Projeto Nacional de Desenvolvimento

Da CTB Rio de Janeiro, José Medeiros

O Seminário “Brasil Pós-Pandemia: Desafios do Projeto Nacional de Desenvolvimento” teve início nessa quarta-feira (23) no Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro (SEC-RJ). Em formato híbrido com presença de dezenas de dirigentes na sede do SEC-RJ e outras dezenas participando através de videoconferência pela plataforma Zoom, o seminário foi aberto às 15 horas com uma mesa com representação de todas as forças que constroem a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no dia-a-dia. As companheiras Celina Areas (Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB) e Ana Paula (Direção Nacional da CTB e vice-presidenta do SEC-RJ) coordenaram os trabalhos da mesa.

O Presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Marcio Ayer, foi o primeiro a fazer sua saudação e manifestou a satisfação em receber todos e todas, mesmo que de forma virtual para parte dos participantes. Marcio também destacou as dificuldades vividas durante a pandemia e a importância do seminário.

O Representante da SSB, Mário Porto, falou logo em seguida, valorizando o debate como importante para “colocar a classe trabalhadora no caminho certo para recuperar o crescimento não só do Rio de Janeiro, mas de todo país.” Logo depois, falando em nome do MDL, o companheiro Luiz Serafim afirmou que o chamado “novo normal” se daria de acordo com a constituição feita pelos trabalhadores e suas lutas e afirmou:

“Devemos pensar a ideia do desenvolvimento com a ideia de construir um futuro melhor para nós e nossos filhos. Nosso dever é levar esperança aos trabalhadores. Vamos destruir essa Reforma Trabalhista e todo esse movimento retrógrado que trouxe tantos danos aos trabalhadores e às trabalhadoras.”

O Presidente da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias, falou após Serafim e criticou o que chamou de “entulho legislativo” produzido logo após o golpe de 2016 e que teve como alvo a classe trabalhadora.

“Nesses quase 6 anos, tivemos uma produção gigantesca de um entulho legislativo que mudou radicalmente o mundo do trabalho, com um violento ataque aos direitos constituídos em quase 100 anos de Lutas. A CLT, que foi duramente conquistada, foi varrida de uma forma avassaladora e isso se reflete hoje no número do desemprego. Nós vamos cerrar fileiras na construção de uma nova maioria da nossa sociedade. Buscar a retomada do desenvolvimento só é possível construindo uma nova maioria na sociedade brasileira para fazer com que esse projeto capitaneado pela direita, que atualmente governa o Brasil, seja derrotado nas ruas e nas urnas.” – disse Paulo Sérgio

Dirigente da CTB e dos Marítimos, José Válido também fez uma intervenção alertando para a questão do desemprego, com duras críticas ao projeto BR do Mar que na opinião do dirigente é um “crime de lesa pátria” que vai limitar a 1/3 a presença de brasileiros nas embarcações, privilegiando trabalhadores de outras bandeiras.

“No período que estamos enfrentando o desemprego, perder mercado do trabalho, privilegiando outros trabalhadores, é um crime de lesa pátria.” – disse.

O Secretário de Relações Internacionais CTB Nacional, Nivaldo Santana, fez uma fala expositiva sobre a CONCLAT, valorizando a unidade entre as 10 Centrais que constroem a mesma e colocando o encontro como central para a batalha eleitoral:

“O grande objetivo dessa Conclat é fazer uma análise da situação de crise que o país está vivendo, aprovar uma plataforma classe trabalhadora que sirva de instrumento e ferramenta para intervenção organizada do movimento sindical e do conjunto dos trabalhadores nesse ano estratégico de 2022, onde vamos, entre outras grandes batalhas, ter a mãe de todas as batalhas, as eleições geral de outubro.”- afirmou

Também falando da batalha eleitoral, o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, ressaltou que as eleições convocadas para outubro deste ano serão decisivas para o futuro da nação e da classe trabalhadora brasileira.

“O golpe de 2016, que foi um golpe do capital contra o trabalho, colocou o Brasil de volta ao mapa da fome da ONU, produziu desemprego em massa, precarização e arrocho dos salários”, denunciou. Na opinião do sindicalismo a reforma trabalhista, aprovada no governo Temer, “aprofundou a desigualdade, reduziu a massa salarial, liquidou direito históricos, fragilizou a organização sindical, precarizou e massacrou a classe trabalhadora”.

Universalizar os Serviços Públicos: Saúde, Assistência e Seguridade Social

Com a fala de Adilson, se encerrou a mesa de abertura da atividade e teve início o debate “Universalizar os Serviços Públicos: Saúde, Assistência e Seguridade Social”. Os expositores participaram de forma virtual da atividade e o primeiro a falar foi o Pesquisador em Saúde Pública da FioCruz, Jorge Bermudez.

Em sua explanação, Jorge afirmou que a Pandemia atingiu o mundo de maneira global e que a sociedade não estava preparada pra isso, fez duras críticas à maneira como os países mais ricos negociaram a compra de insumos e de vacinas e defendeu o Sistema Único de Saúde:

“A resposta do Brasil à Pandemia se deu graças a solidez das instituições públicas e ao caráter público do Sistema Único de Saúde. Instituições nacionais, vinculadas ao SUS como a FioCruz e o Butantan, buscaram parcerias internacionais para que pudessem ser produzidas no Brasil vacinas contra a Covid-19.”

Bermudez defendeu a revitalização do SUS e criticou o governo federal que na sua visão está “rasgando a constituição”.

“A primeira ação de um projeto nacional de desenvolvimento deverá ser recuperar o piso nacional da saúde, integrar as políticas públicas e revogar a Emenda Constitucional 95.”- defendeu.
Após a exposição de Bermudez, foi a vez do médico e membro da Coordenação Nacional de Ética em Pesquisa, Jorge Venâncio, fazer sua apresentação.

Venâncio fez críticas ao modelo econômico do país destacando que, em sua visão, o que trava o crescimento do país e a insuficiência da renda da população. O médico defendeu mudanças no tripé macroeconômico e afirmou que o Brasil precisa “aumentar substancialmente a renda da sua população”.

“Não podemos continuar com essa política de reduzir a renda da população. É isso que joga o Brasil para trás. Precisamos de uma política de investimento público substancial, acabar com esse atraso de teto de gastos, investir em Ciência e Tecnologia. A Política Econômica tem que ter uma virada de fundo pra gente ter uma política compatível com um projeto nacional de desenvolvimento e será isso que permitirá mudanças substanciais no SUS.” – defendeu.

O seminário segue nesta quinta (24) pela manhã no Sindicato dos Comerciários e, à tarde no Sindicato dos Marítimos.

Compartilhar: