Xenofobia, não!

Xenofobia, pelo dicionário Aurélio, é a aversão a pessoas estrangeiras, ódio ao estrangeiro. E foi exatamente esse o significado da manifestação de médicos brasileiros contra a presença dos médicos cubanos, ocorrida no dia 26 de agosto último, em Fortaleza.

Uma atitude repugnante de nossos médicos. Em defesa da manifestação, o diretor do Sindicato dos Médicos do Ceará, José Maria Pontes, falou que as vaias eram para os representantes governamentais que viabilizaram a vinda de mais médicos para atender a enorme carência desses profissionais em nossas comunidades. Porém não foi isso que vimos e ouvimos.

Mesmo assim o referido médico cearense insistiu e disse que as palavras que gritavam “escravos” seriam contra a forma de contratação de trabalho dos profissionais de medicina. Mais uma vez, não foi essa a evidência. O que se viu foi: médicos brancos (na pele, não no jaleco) gritando a palavra “escravos” contra médicos negros.

Desde a formação histórica brasileira, de gênese na Casa Grande oprimindo a Senzala, a atitude de um branco gritando (como sinônimo de oprimindo) com os negros tem sido o comportamento das classes abastadas brasileiras – brancos em sua maioria – contra o povo, oriundo da senzala, e atualmente em processo de mistura, de amálgama – de maioria negra.

A imagem diz tudo – uma branca gritando contra um negro. O conteúdo – a formação histórica brasileira – confirma e explica a ação indigna.

Aos trabalhadores brasileiros resta denunciar esse ato de preconceito. Se na história fomos educados com atitudes com essa de nossas elites, devemos tomar outra atitude. Somos um povo mestiço, misturado. Estamos tentando superar ao longo da nossa história a segregação racial. No meio do povo trabalhador esse comportamento não se justifica mais.

Nossa revolta é pelo ato de extrema aversão ao estrangeiro manifestado por médicos brasileiros. Esse comportamento é das elites conservadoras, preconceituosas e reacionárias brasileiras. E não do povo brasileiro, da nossa mestiçagem.

Devemos superar esse atraso social exposto/oculto por parte de segmentos de trabalhadores assalariados brasileiros. Estamos em uma nova realidade social e ações de xenofobia não podem se manifestar entre os trabalhadores. Nós devemos sim, dizer: bem-vindos, bienvenidos, welcome.


Carlos Rogério de Carvalho Nunes é secretário de Políticas Sociais da CTB.

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