Sindicalistas e movimentos sociais vivem regime de terror na Colômbia

Por João Batista Lemos

Ao longo deste ano, até o presente momento, nada menos que 42 sindicalistas foram assassinados na Colômbia. Os líderes da classe trabalhadora e dos chamados movimentos sociais vivem sob o signo do terror no país, cujo presidente, Álvaro Uribe Vélez, um dos últimos aliados de Washington na América Latina, revelou-se um inimigo visceral da classe trabalhadora e das forças e organizações patrióticas e progressistas.

A demolição dos direitos trabalhistas foi institucionalizada, o governo privatizou as estatais rentáveis e a maioria dos serviços públicos, incluindo seguridade social, conferiu privilégios revoltantes às transnacionais, promoveu uma incursão militar na fronteira com o Equador com o propósito de desestabilizar o governo progressista de Rafael Correa, criminaliza os movimentos sociais e trata o sindicalismo com mão de ferro.

Resistência

As entidades populares resistem. Os índios e os professores, em especial, contam com organizações fortes, capazes de se mobilizar nacionalmente. Também avança a mobilização dos camponeses e assalariados rurais, mineiros e outras categorias, sobretudo na região de Cauca. Nos últimos dias foi deflagrada uma importante greve dos canavieiros contra a super exploração dos usineiros.

A paralisação dura mais de duas semanas. Com o intuito de enfraquecer os grevistas e justificar a criminalização e repressão do movimento, o presidente Uribe, um peão de Bush no tabuleiro político da América Latina, declarou que os canavieiros receberam armas e orientação das FARCs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Mais uma insinuação falsa, que se soma à acusação do mesmo teor contra um senador sindicalista.

A CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) já divulgou nota em solidariedade aos canavieiros colombianos e rechaça com energia a ofensiva reacionária do governo colombiano contra os movimentos sociais. A Colômbia clama por solidariedade. Solidariedade com os canavieiros grevistas; solidariedade com a mobilização dos movimentos sociais, que realizarão uma jornada de luta de 7 a 12 de outubro (contra o Tratado de Livre Comércio – TLC – com os EUA e pela anulação de leis agrárias pró-latifúndio aprovadas recentemente); apoio às ocupações de terra na região de Cauca; apoio aos movimentos sociais e contra a criminalização dos mesmos.

Viva o povo e a classe trabalhadora colombiana. Não ao imperialismo e ao neoliberalismo.

* João Batista Lemos, secretário adjunto de Relações Internacional

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