Precisamos refletir sobre o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

Por Heloísa Gonçalves de Santana

Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1966, o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial ficou estabelecido em 21 de março, porque nesse dia em 1960, a polícia do apartheid, sistema de segregação racial instituído na África do Sul em 1948 e só acabou em 1990, com a libertação de Nelson Mandela, dissolveu com perversidade uma manifestação pacífica de mais de 20 mil negras e negras pelo direito de ir e vir. A polícia matou 69 manifestantes e feriu 186, no episódio conhecido como o Massacre de Sharpeville.

Devemos utilizar essa importante data para que fatos como esse massacre não aconteçam nunca mais. E refletirmos sobre as nossas atitudes em relação ao racismo. Como já foi dito: “não basta não ser racista, tem que ser antirracista”.

Vidas têm sido perdidas por causa do racismo estrutural, forjado para justificar a escravidão e desumanizar a população trazida à força da África em porões dos chamados “navios negreiros” para com sua força de trabalho sustentar o sistema que os explorou por quase 4 séculos.

É preciso lutar contra todas as discriminações para fazer a civilização brasileira avançar e construir uma sociedade baseada no respeito às diferenças e na cultura da paz. Temos leis tornando o racismo crime inafiançável, mas as manifestações racistas acontecem todos os dias em todos os lugares, inclusive no ambiente de trabalho. Nos estádios de futebol, nas ruas, no transporte público e nas redes sociais.

Com o desgoverno Bolsonaro a situação vem se agravando porque o presidente faz questão de insuflar manifestações de ódio contra a população negra, contra os povos indígenas, contra as mulheres e contra a comunidade LGBTQIAP+. Insufla o ódio e a violência como cortina de fumaça à sua inépcia em governar o país.

Mas o racismo brasileiro vem de águas profundas e o sistema capitalista o renova a cada dia para manter viva a exploração de quem vive do trabalho e pouco, ou quase nada vê dos frutos do seu trabalho. E a população negra foi deixada à deriva do processo social mesmo após a Abolição.

É preciso estudar a história para entender a situação degradante vivida pelas negras e negros e entender que estão em maioria na vulnerabilidade não porque sejam “preguiçosos”, “inferiores” ou não gostem de estudar e trabalhar, pois por séculos foram o sustentáculo da economia do país e sem ganhar um tostão por isso. Estão sim porque os sistema os impede de progredir

Então, precisamos estar todas e todos no movimento contra o racismo, colaborando com as negras e negros nessa luta para extirpar esse mal de nossas vidas e juntos construirmos um futuro de respeito, igualdade e liberdade para todas as pessoas.

Heloísa Gonçalves de Santana é professora aposentada, Conselheira Regional de Representantes da Subsede Marília da Apeoesp, integra o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Marília (SP) e secretária da Mulher da CTB-SP.

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