O “pibinho” de Bolsonaro e a “melhoria gradual da economia”. O Brasil é a zumbilândia

O “estrondoso” crescimento do PIB no terceiro trimestre, de 0,6% em relação ao segundo trimestre desse ano da Graça de 2019. A forma de divulgação, alardeada como se fora o início de uma forte recuperação da economia, beira ao surreal, com a esmagadora maioria dos sites de economia saudando, enfim, o início da recuperação econômica.

A notícia provocou frisson entre os altos executivos de consultorias e dos maiores bancos do país e nas carreiras, como dizemos no Nordeste, os analistas dessas instituições trataram de revisar as projeções para o crescimento do produto interno bruto para 2019 e 2020. O banco americano Goldman Sachs elevou sua estimativa para este ano de 1% para 1,2%. Já o Santander subiu seus números para o mesmo patamar dos americanos, sendo que antes calculava o desenvolvimento em 0,8%.

A variação do PIB parece, segundo pesquisas publicadas na Folha de São Paulo, feitas pelo Instituto Data Folha, dar um fôlego ao governo Bolsonaro e provoca ranger de dentes entre os oposicionistas, que parecem querer o aprofundamento da crise para desgastar Bolsonaro, parecendo esquecer que a miséria econômica afeta milhões de pessoas, desprovidas de condições mínimas para enfrentar esse cenário dantesco.

O desvario não tem limites e muitos sites (como os da Veja) afirmam que a Reforma da Previdência já começa a produzir efeitos pois o crescimento de 3,1% nos aportes de Capital nesse ano de 2019 seria resultado dessas reformas. E se diz isso assim de uma forma tão cínica que pessoas de boa fé podem achar que, de fato, cavar a própria sepultura, trará uma morte feliz, chegando ao ponto do condenado entregar a bala ao seu carrasco.

Em 2014, ano em que se encerrou o primeiro governo de Dilma, o PIB amargou 0,5% de crescimento e nos anos seguintes, caindo 3,5% em 2015, caiu 3,3% em 2016 (já sem Dilma), permaneceu estagnada em 2017 (cresceu 1,7%), chegou ao final do governo Temer com um “crescimento” de 1,3% e aponta, festivamente, para um “crescimento” de 0,9% no primeiro ano de Bolsonaro. O “pibinho” de Dilma é QUATRO VEZES E MEIA maior que o “pibaço” de Bolsonaro. Onde melhorou?

O carro-chefe desse “estrondoso” crescimento foi o consumo das famílias que registrou o avanço de 0,8%, mas em função do saque das contas do FGTS, ou seja, um espasmo que os “economistas do mercado” transformaram no “fim do túnel”, esquecendo de dizer que no fim dele tem um abismo.

O DESEMPREGO, expressão mais visível da dinâmica de uma economia, de acordo com o IBGE, chegou a um montante estrondoso de 12,5 milhões de desempregados, que significa uma ESTABILIZAÇÃO do desemprego. Como assim? No terceiro trimestre de 2018 a TAXA DE DESEMPREGO estava em 11,9% e no terceiro trimestre desse ano, ficou em 11,8%. Como pode isso significar melhoria?

Na realidade o “novo emprego”, que o governo comemora, é a velha INFORMALIDADE, onde a pessoa se sujeita a trabalhar sem nenhum direito e com salário (quando tem) muito abaixo do mercado. O percentual de pessoas na INFORMALIDADEA chegou a 41,4% em setembro, um recorde histórico e com reflexos catastróficos nos recursos previdenciários, ou seja, a “lufada econômica” fede a desemprego e subemprego. Lembrando que no último trimestre de 2015 o percentual de informalidade era de 38,7%. Melhorou o que?

Um governo que tem um ódio mortal aos trabalhadores, embora 30% deles ainda o apoiem, cria uma CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA de 7,5% sobre o SEGURO-DESEMPREGO, exatamente porque a Reforma da Previdência significará escassez de recursos previdenciários nos próximos anos e uma CARTEIRA VERDE E AMARELA que INSTITUCIONALIZA a precarização. Onde melhorou?

Os sinais de devastação social e econômica estão em todos os lugares e o recuo do consumo do governo, espremido pelo Teto dos Gastos, já impõe aperto orçamentário, deixando os serviços públicos à míngua e isso está apontado para 2020, ou seja, a Federação, cada vez mais desigual, verá uma União cada vez menos indutora de desenvolvimento e os estados e municípios, entregues à própria sorte, tendo que reduzir seus gastos, com compras e com investimento. Esse círculo representa uma melhoria?

Não é racional querer a destruição econômica em nome da luta política, mas é menos racional ainda construir a fantasia de uma melhoria, baseado numa massiva propaganda que tenta passar a imagem de que temos um destrambelhado desqualificado na chefia do Executivo, e uma potente equipe econômica conduzindo o país.

Os indicadores do PIB mostram CLARAMENTE que há um horizonte sombrio.

Wellington Duarte é professor do Departamento de Economia da UFRN, Presidente da CTB-RN e do ADURN-Sindicato.

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