O Perfil da Classe Trabalhadora no Brasil

A classe trabalhadora I
(Texto para Discussão)

“A observação empírica tem de mostrar, em cada um dos casos, empiricamente e sem qualquer mistificação e especulação, a conexão da estrutura social e política com a produção. A estrutura social e o Estado decorrem constantemente do processo de vida de determinados indivíduos; mas destes indivíduos não como eles poderão parecer na sua própria representação ou na de outros, mas como eles são realmente, ou seja, como agem, como produzem materialmente, como trabalham, portanto, em determinados limites, premissas e condições materiais que não dependem da sua vontade.”
(Marx; Engel´s, p 21, 1984)

A classe trabalhadora compete à venda de força de trabalho estimulada e explorada pelas leis gerais do capitalismo e, portanto, antagônica a classe proprietária dos meios de produção que institui as leis e validam a extração de mais-valia. Quanto mais próximo do circuito de produção e acumulação de riqueza maior é o tensionamento classista. Neste perfil se enquadram os trabalhadores e trabalhadoras assalariados (as) com vínculo empregatício registrado em carteira a uma determinada empresa e ramo de produção de bens industriais e financeiros com fins lucrativos. No conjunto da classe trabalhadora existem outras referências de trabalho assalariados (as) e autônomos (as), assim como, no desemprego.

Neste estágio e no Brasil é cada vez mais intensificado o perfil de trabalho em serviços e rotativo, principalmente para a juventude, isso em parte pela liberalização econômica da déc. de 90 e na sequência a financeirização da economia mundial que limita ainda mais o desenvolvimento tecnológico e industrial dos países emergentes. O único índice positivo em termos de mundo do mercado de trabalho é a inserção ascendente da mulher, porém, que no caso das jovens a minoria trabalha e estuda, sendo o triplo as jovens mulheres que só trabalham em relação as que só estudam. (Andrade, IPEA, 2007)

Se analisarmos a classe trabalhadora no sentido estrito: obteremos o resultado em que a sociedade detém duas classes antagônicas e que promovem a sociedade a partir do contexto histórico em conjunto com a forma de transformação da natureza para o benefício humano. Surgem então as contradições que gera a luta de classes, que é forma de ação política que a classe trabalhadora adquiriu para enfrentar os desafios e mudar a lógica exploratória do capital. Neste quadro os trabalhadores e trabalhadoras encontram meios para que o seu instrumento de luta, organização sindical e política possam ser o mais amplo possível e dialogar com as diversas esferas de trabalho.  Agregando desde as camadas mais populares como, por exemplo, trabalhadores (as) domésticos (as), ambulantes, catadores/reciclagem e situações de risco, até indivíduos da classe intermediária que poderiam estar no circuito de controle social para garantir as leis burguesas e que se invertem para um caráter social e de luta como, por exemplo, médicos (as), advogados (as), professores (as) universitários (as) e jornalistas. “… onde o materialista comunista vê a necessidade e, o mesmo tempo, a condição de uma transformação tanto da indústria como da estrutura social.” (Marx; Engel´s, p 30, 1984).

No capitalismo a profunda miséria está ligada ao conceito de “exército de reserva” onde o capital se alimenta do desemprego e da informalidade para baratear o custo de trabalho e aumentar o lucro, repercutido na esfera de concorrência pelo emprego que nada mais é que o reflexo da concorrência empresarial. Em um sistema inovador, a concorrência tecnológica deve se destoar da concorrência empresarial e se tornar um mecanismo de incentivo para a procura de novas descobertas como praticar esporte sem fins comerciais e com ampliação de integração cultural. Nesta, clausura, se torna factual que a relação capital-miséria e as contradições do capital-trabalho são uma dinâmica do lucro ligado a uma ordem mundial coordenada pelo imperialismo dos EUA, e a luta de classes uma ação humana, política e realista, histórica e pelo socialismo no séc. XXI.

Estrutura Social I
(Texto para Discussão)

“A dificuldade começa, […], precisamente quando nos damos à consideração e ordenação do material, seja de uma época passada, seja do presente, à representação real. A eliminação destas dificuldades está condicionada por premissas que de modo nenhum podem ser aqui dadas, e que só resultarão claras do estudo do processo real da vida e da ação dos indivíduos de cada época.”¹
(Marx, Engel´s, p 24, 1984)

A trajetória histórica do país contribuiu para complexidade da sociedade brasileira, desde, o sistema de colônia de exploração tendo como características refúgio de reinado (nobreza), disputa de metrópoles, escravagismo e uma legislação trabalhista conturbada, até situações como liberalização econômica da década de 90 que vem acompanhada de flexibilização das leis trabalhistas, desemprego direto e trabalho com característica, estritamente mercadológico.  A história do Brasil, portanto, é fundamental para análises, matemáticas, filosóficas e sociológicas, que deve ser exigido para a interação de consciência de classe trabalhadora e no plano metodológico das pesquisas de estrutura social com esse caráter.

Nas recentes pesquisas de estrutura social do país, o instrumento mais utilizado para determinação de linhas de renda e com isso classes econômicas é o Pnad – Pesquisa Nacional por Domicílio do IBGE. Que tem como fundamento os dados do indivíduo com maior renda no conjunto familiar, que é um dado crucial, mas não completo e depende muito da interpretação do leitor, ou do pesquisador e dos mecanismos utilizados.  Um dos fatores negativos é de que, o Pnad não tem condições de chegar aos ricos e muito ricos, pois, não chega se quer na “campainha”, os ricos não declaram renda para o Pnad, geralmente neste levantamento é o que mais exige interpretação dos pesquisadores, quando ocorre.

Existem diferentes instrumentos de pesquisa que servem para este tema como, por exemplo, Pnad, IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, INPC – Instituto Nacional de Preço para o Consumidor, Coeficiente de Gini (fórmula matemática de concentração e desconcentração) e assim por diante. Na maioria das vezes haverá diferenças principalmente na linha de transição de uma renda para outra e, portanto, no conjunto da estrutura social. Sendo consensuais em termos mais gerais como a diminuição da miséria e a ascensão de 29 milhões de brasileiros no período 02/10 para uma média qualidade de vida em termos de renda, proporcionalmente a maioria dos brasileiros, onde, a renda per capita ainda é baixa e a concentração de renda extremamente alta.

¹ Nota dos autores em relação ao materialismo não histórico de Feuerbach.

Referências Bibliográficas

ANDRADE, C. Juventude e Trabalho: Alguns aspectos do cenário brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro: IPEA, 2007.
HECKER, R. Marx como pensador: Novos resultados de pesquisa sobre sua obra e biografia por ocasião do 125º ano da morte de Karl Marx. São Paulo: Anita Garibaldi: Fundação Maurício Grabóis, 2011.
LENIN, V. Esquerdismo: Doença infantil do comunismo. Biblioteca do site O Vermelho.
MARX, K; ENGEL´S, F. A Ideologia Alemã. São Paulo: Moraes; 1984.

Pesquisas Comparadas

NERI, G. A nova classe média: O lado brilhante dos pobres. Rio de Janeiro: FGV/CPS, 2010.
QUADROS, W. A evolução recente da estrutura social brasileira: Unicamp, 2008.
QUADROS, W. Notas Metodológicas: A estrutura ocupacional individual: Unicamp, 2008.


André Lemos é Cientista Social, colaborador de pesquisa do CES e integrante da Juventude – CTB.

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