Mães: presentes para o futuro

Por Abgail Pereira* 

No mundo do capital, algumas datas, tão significativas em suas origens,  acabam sendo simplesmente transformadas em oportunidade de negócios. Uma das mais singelas e ilustrativas é o “Dia das Mães”. Todo o sentimento que envolve a maternidade,  a emoção da geração da vida, a dor e a alegria da construção de um novo ser,   passam  a servir de apelo ao consumo. Têm presente de todos os tipos, para todos os gostos, para todos os bolsos,  em prestações a perder de vista, com juros, é claro.

 

As ofertas prometem fazer o dia inesquecível, tornar a mãe mais bela, saudável, mais moderna,  informatizada, menos atarefada e, sobretudo, mais feliz. É certo e justo que as mães assim se sintam neste dia. O problema é que, como os outros, este dia também passa e a realidade não é mesmo nem um pouco parecida com o que sugerem as grandes campanhas publicitárias. Pelo menos a realidade das mães trabalhadoras deste nosso imenso país.

Ser mãe e trabalhadora não é lá tarefa das mais fáceis. Da alegria do nascimento passa-se rápido, muito rápido, à preocupação de onde deixar os filhos quando a licença maternidade acabar. Não raro é preciso improvisar,  pois não há creches para todos. Diariamente, a jornada extenuante de trabalho, profissional e familiar,  leva muitas mães ao total esgotamento. O tempo para a criança acaba sendo o que restar de tantas tarefas e a infância, também não raro, torna-se sinônimo de abandono, solidão ou desamparo.

Convívio familiar

Tempo e segurança… São justamente o que há de mais importante para a mãe e para a criança. Tempo para estarem juntos, para cuidar e educar. Segurança para crescer, estar amparado e ter perspectiva de futuro.  É por essa realidade que as mães trabalhadoras buscam presentes especiais, com prazo de validade indefinido, que não têm preço, mas sim VALOR.

Poderíamos começar com a ampliação da licença maternidade para 180 dias para todas as trabalhadoras, não como opção da empresa, mas como direito líquido e certo.  Junto, teríamos a merecida ampliação da rede de creches, para que os filhos das trabalhadoras não passem a infância sem assistência.

Em igual medida e importância vem a redução da jornada de trabalho, que possibilita a redução da fadiga e do estresse, e, por conseguinte,  mais saúde física e psicológica. E mais tempo, mais uma vez o tempo, para o convívio familiar, para a vida que cresce ser acompanhada, festejada, compartilhada.

Valor incalculável

Mas não é só para a mãe trabalhadora e para a criança que a redução da jornada traz benefícios. É também a perspectiva de futuro que representa para a juventude. Serão milhões de novos postos de trabalho. Quanto maior a oferta de trabalho, menor será violência e o apelo das drogas, que encontram campo fértil na ociosidade e na falta de projetos de vida.

E, para finalizar, nada mais justo que o fim do fator previdenciário na aposentadoria. Afinal, é inadmissível que, depois de uma vida inteira de trabalho e luta, de dupla jornada, de salários baixos e de discriminações, as trabalhadoras ainda tenham a sua aposentadoria adiada ou com valores reduzidos  por esse nefasto dispositivo legal.

Esses são os presentes que as mães trabalhadoras certamente fariam gosto de receber para a sua vida, para si e para seus filhos. Presentes para o futuro, não apenas para um dia, presentes de valor incalculável, que não estão na mídia, tampouco na vitrine, mas nem por isso fora de nosso  alcance. Este é o tempo certo para conquistá-los. É uma questão de escolha. De continuar lutando, pois as mudanças não acontecem por conta do acaso.

 

*Secretária de Mulheres da CTB

 

 

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