Irresponsabilidade de Bolsonaro é o maior risco à saúde pública no Brasil

Por Adilson Araújo, presidente da CTB

No momento em que a pandemia do coronavírus avança em ritmo acelerado pelo território brasileiro e um relatório da Abin estima que em duas semanas, até o dia 6 de abril, teremos 5.571 mortes provocadas pelo vírus no país o presidente Jair Bolsonaro faz um pronunciamento irresponsável contra as medidas que estão sendo tomadas pelos governadores dos estados para conter a progressão da doença.

Insistindo na tese de que estamos perante uma mera “gripinha” e que a reação dos governadores e do próprio Ministério da Saúde não passa de histeria, palavra que repetiu inúmeras vezes no discurso irresponsável, o líder da extrema direita condenou o isolamento, a suspensão das aulas presenciais, o fechamento do comércio e outras medidas adotadas nos estados para evitar a propagação do vírus.

As ideias do chefe do Palácio do Planalto não têm respaldo na ciência e contrariam as orientações da Organização Mundial da Saúde e de todos os países que estão tentando contornar a crise, para não falar do próprio ministro da Saúde do seu governo, que em recente entrevista coletiva anunciou para meados de abril o colapso do sistema de saúde nacional e recomendou o isolamento.

A Índia impôs o isolamento coletivo de seus 1,3 bilhão de habitantes, a China controlou a doença confinando cidades. A Europa e até mesmo os Estados Unidos procuram seguir o mesmo caminho. Neste aspecto, Bolsonaro está completamente isolado no mundo e no Brasil, onde acaba de agregar à lista de ex-aliados o governador goiano Ronaldo Caiado.

As bobagens pronunciadas pelo presidente refletem o obscurantismo ideológico que o desorienta, mas infelizmente não são inofensivas. Constituem uma inequívoca convocação à desobediência civil contra as medidas de prevenção que estão sendo adotadas nos estados. Partindo de um chefe de Estado é um fato extremamente grave.

O pronunciamento do capitão neofascista favorece a causa do coronavírus, a proliferação da doença, colocando em risco a vida de milhões de famílias brasileiras. É um atentado à saúde pública. Sua permanência na Presidência é inaceitável e torna-se também insustentável.

Em defesa da vida, Fora Bolsonaro!

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