Bolsonaro quer diminuir o salário das professoras e professores

Por Francisca Rocha

Não é somente a economia que está de mal a pior no país com as políticas erradas do desgoverno de Jair Bolsonaro. O Brasil está afundando na crise e a pandemia do coronavírus apenas fez agravar o que já vinha definhando de norte a sul.

O país já ultrapassa os 14 milhões de desempregados, que somados aos desalentados e aos trabalhadores em situação precária, ultrapassa os 70 milhões de pessoas desamparadas. E não há nenhuma perspectiva de melhoria com Jair Bolsonaro na Presidência da República e com as políticas adotadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Esse é o governo dos muito ricos, para os muito ricos e contra a maioria absoluta da população que começa a entrar em desespero pela alta de preços e o fim de conquistas fundamentais para a vida de quem vive de sua força de trabalho.

Bolsonaro teve de engolir o auxílio emergencial de R$ 600 para as numerosas famílias que se viram sem nenhuma fonte de renda durante a pandemia, quando ele e Guedes queriam pagar somente R$ 200. Agora reduziram esse auxílio para R$ 300 e a partir de janeiro ninguém mais receberá nada, mesmo na situação caótica em que se encontra o país.

Como inimigo número 1 da educação pública, antes mesmo de ser eleito, Bolsonaro já atacava as professoras e professores e depois de sua posse tornou a perseguição como método contra os profissionais da educação para minar a resistência ao seu projeto de acabar com a educação pública e tirar a possibilidade de melhoria de vida através dos estudos para a maioria da população.

Vem cortando os investimentos em educação pública, ataca a liberdade de cátedra e persegue professoras e professores para impedir a disseminação do conhecimento e com isso impedir a consciência crítica nas futuras gerações. Quer criar um exército de robôs, controlados pela política do ódio e da discriminação.

Agora quer acabar com a política de valorização no salário dos profissionais da educação, vinculando o aumento salarial ao índice oficial da inflação. E esse índice oficial não reflete nem de longe a realidade da alta dos preços e do custo de vida.

Desde 2008, o piso salarial do magistério está vinculado ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Para se ter uma ideia da diferença que a proposta do desgoverno resulta, no ano passado, o reajuste do piso foi de 12,84%, se fosse como pretende Bolsonaro teria sido de 4,6%, quase três vezes a menos.

O piso salarial do magistério atual é de R$ 2.886, que na verdade ainda é pouco, imagina piorar ainda mais. É necessário resistir com muita contundência a esse absurdo, que visa liquidar com a carreira do magistério e com a educação pública, retrocedendo décadas, quando as filhas e filhos da classe trabalhadora, no máximo conseguiam fazer o curso primário (atual ensino fundamental 1). Isso quando conseguiam terminar esse curso. Tudo para formarem um exército de reserva para baratear a mão de obra no mercado de trabalho e não adquirirem consciência de classe.

Além de tirar verbas dos setores mais importantes para a vida das brasileiras e brasileiros como educação e a saúde, o governo federal acaba com as políticas públicas em favor da vida de grupos vulneráveis e com a pandemia a situação piora mais.

Por isso, é fundamental estarmos atentas e atentos para as eleições municipais. Conheçam as propostas de cada candidata ou candidato para a educação, saúde, cultura e esporte, com objetivo de tirar as crianças e jovens das ruas e da possibilidade de aliciamento pelo tráfico de drogas.

Saiba também o que cada candidato já fez para a criação de empregos. Como votou em casos que prejudicaram nossa aposentadoria, o que defende para tirar a cidade, o estado e o país da crise e da submissão ao capital estrangeiro. Que posições tem para a preservação ambiental e o combate à fome e ás desigualdades.

As eleições municipais podem frear o ímpeto entreguista e destruidor de Bolsonaro e com mais investimentos em educação, saúde e em políticas públicas garantidoras do impulsionamento à igualdade de possibilidades e aos direitos de quem vive do trabalho para isso tirar o Brasil do fundo do poço.

Francisca Rocha é secretária de Assuntos Educacionais e Culturais do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), secretária de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e dirigente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil, seção São Paulo (CTB-SP). 

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