Bolsonaro enaltece agronegócio e nada diz sobre 33 milhões de brasileiros e brasileiras passando fome

Por Umberto Martins

Quem se deu ao doloroso de ouvir o discurso pronunciado pelo presidente nesta sexta-feira (10), em Los Angeles (EUA), durante a controvertida Cúpula das Américas, deve imaginar que o líder da extrema direita brasileira vive em um país imaginário ou anda mesmo no mundo da lua, abatido pelas pesquisas de opinião que sinalizam a crescente possibilidade de sua derrota definitiva já no primeiro turno da eleição presidencial.

Bolsonaro enalteceu o agronegócio, controlado pela alta burguesia rural, e disse que o Brasil alimenta 1 bilhão de pessoas no mundo. “Somos uma potência agrícola”, bravateou. Só não falou que a maioria do povo brasileiro não tem acesso a tamanha fartura de alimentos. Também não mencionou a façanha de seu desgoverno que, dando continuidade à agenda neoliberal do golpe de 2016, recolocou a nação brasileira no vergonhoso Mapa da Fome da ONU.

A fome se alastra

De acordo com o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), hoje mais da metade da população do país está em insegurança alimentar. São mais de 125 milhões que não têm comida garantida todo dia.

Desses, cerca de 33,1 milhões de brasileiros e brasileiras estão passando fome, 14 milhões a mais que em 2020. Lembremos que o governo Lula, concretizando o programa Fome Zero, retirou o Brasil do Mapa da Fome, graças a políticas sociais como a lei de valorização do salário mínimo, a redução substancial da taxa de desemprego e o Bolsa Família.

Jair Bolsonaro reverter esta obra generosa do líder petista. Ele não é sensível às desgraças sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras, que em grande medida foram e estão sendo impostas pelo seu governo e, se houvesse sensibilidade humana no Palácio do Planalto, poderiam ser evitadas ou aliviadas com políticas públicas adequadas. Mas a vocação neofascista do ex-capitão restringe o alcance de suas preocupações.

Rabo preso com a burguesia

Ele só enxerga o Brasil dos ricos, da alta burguesia, rentistas, banqueiros e latifundiários que estão nadando em dinheiro. Procura os mais pobres apenas na hora de pedir votos, à base de promessas demagógicas, mentiras descaradas, medidas enganosas e diversionistas como a PEC do combustível, que remete a responsabilidade pela alta desenfreada dos preços do óleo diesel, gás de cozinha e gasolina aos governadores, eludindo a verdadeira causa que é a política de preços adotadas pela Petrobras para satisfazer os interesses de acionistas privados.

Inimigo número um da classe trabalhadora, o atual presidente do país tem o rabo preso com a burguesia e deixou isto claro também no apelo que fez aos empresários donos de supermercados, quando acenou com a preservação e o aprofundamento das medidas adotadas contra a classe trabalhadora desde o golpe de 2016. “Nós não queremos revogar reforma trabalhista, não queremos valorizar o MST (Movimento dos Sem Terra), não queremos campanha de desarmamento da população”.

Fortemente influenciada por lobista de bancos, indústrias e transportes, conforme revelou reportagem do Intercept, a mudança na legislação trabalhista aprofundou o processo de precarização das relações entre capital e trabalho, não criou um só dos 6 milhões de postos de trabalho prometidos, reduziu sensivelmente o número de empregos formais (com carteira assinada) e ampliou, em contrapartida, a informalidade.

Concentração de renda escandalosa

O real compromisso do atual chefe do Palácio do Planalto é com o patronato, ele acena com a ampliação dos lucros capitalistas às custas da miséria crescente do povo trabalhador. Para satisfazer a sede de lucros dos acionistas privados da Petrobras temos o botijão de gás a R$ 113,00, a cesta básica em São Paulo custando R$ 777,93.

Observou-se um crescimento de 16% do número de pessoas morando na rua nos últimos cinco meses e queda de 6,9% na renda domiciliar, imposta em grande parte pela disparada da inflação, que tem por epicentro a evolução dos preços dos combustíveis e alimentos.

Enquanto a pobreza se alastra pelo vasto território nacional no outro polo da pirâmide social os ricos ficam ainda mais ricos e a concentração da renda torna-se a cada dia mais escandalosa em nosso país. A parcela de brasileiros que faz parte do 1% com os maiores rendimentos mensais recebe atualmente, em média, 38,4 vezes mais do que a metade da população do país com os menores rendimentos. Em 2020 recebiam 34,8%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2021: Rendimento de todas as fontes, divulgada nesta sexta-feira (10) pelo IBGE.

Com esses dados desalentadores compõe-se o retrato do Brasil sob o governo Bolsonaro, um terrível pesadelo, adornado pela retórica golpista, do qual o Brasil poderá se livrar em outubro, impondo nas urnas a derrota do Clã Bolsonaro.

Foto: Chokito/Divulgação

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