Ampla unidade e mobilização popular são essenciais para isolar e derrotar o fascismo

Mobilização popular na Avenida Paulista contra o fascismo | Foto: Divulgação / CTB

O brilho da posse do presidente Lula não foi suficiente para ofuscar a intentona golpista dos fascistas brasileiros liderados por Jair Bolsonaro, hoje foragido nos Estados Unidos. Os ataques terroristas às instituições da República no domingo (8) apontaram as dificuldades que iremos enfrentar no próximo período.

Novos atos antidemocráticos têm sido convocados e certamente precisamos estar prontos para respostas enérgicas e massivas, bem como um contraponto convincente da disputa de narrativas. O bolsonarismo, ancorado em parcelas das forças militares, do empresariado, da PM e da polícia política, dificulta a retomada da normalidade no país.

As forças democráticas e populares precisam redobrar os esforços de conscientização e mobilização do povo para garantir a governabilidade, colocar um ponto final na instabilidade e abrir caminho para as mudanças que a nação demanda com urgência.

A convocação de manifestações populares de rua por todo país é mais que necessária. Convém unir os movimentos em torno de uma ampla frente e estreitar o contato com o povo, que sempre foi e será a maior vítima da barbárie fascista. Tomar as rédeas da comunicação, sobretudo diligenciar cuidados e atenção às redes sociais é uma exigência inadiável. Não devemos subestimar a força da extrema-direita, que ganhou musculatura nas eleições de outubro, sobretudo entre os legislativos.

O renascimento do nazifascismo é um fenômeno global que tem por pano de fundo a crise da ordem capitalista mundial criada após a Segunda Guerra Mundial sob hegemonia dos EUA. Uma crise geopolítica que ainda parece longe de um desfecho e pode desembocar em grandes conflitos internacionais. A extrema-direita criou raízes e extirpá-las não será uma tarefa fácil.

Nos EUA, onde o clã Bolsonaro tem muitos aliados na extrema-direita, o ex-banqueiro e ex-assessor de Donald Trump, Steve Bannon, amigo de Eduardo Bolsonaro, esteve envolvido na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Ele já manifestou a ambição de unir a extrema-direita em escala global, foi um dos conselheiros de Jair Bolsonaro e segue agindo e influindo nos processos de desestabilização por aqui.

O governo federal brasileiro tem de ficar atento e montar com urgência um Observatório Nacional de Comunicação com agentes qualificados para monitorar e preparar antíteses às conspirações e tentativas de golpe.

Um grande consórcio da blogosfera, com a participação dos nossos melhores quadros, pode ser um passo importante para a construção da boa narrativa, combate às fake news e retomada do debate da democratização dos meios de comunicação, que se revela condição fundamental para sobrevivência da nossa democracia.

  • Adilson Araújo é presidente Nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)[email protected]
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