A letargia de Bolsonaro tem consequências drásticas do coronavírus, mas população reage

Por Francisca Rocha

A China já conseguiu vencer a epidemia do novo coronavírus, que começou em dezembro do ano passado. Mas a situação no mundo ainda é muito grave e os governos têm tomado medidas no combate ao vírus. O novo epicentro da pandemia é a Europa, com resultados muito graves na Itália, principalmente.

A chegada do Covid-19 no Brasil desnudou o governo brasileiro com sua total incapacidade de governar qualquer país, ainda mais um de dimensões continentais como o nosso país. Desde que assumiu a Presidência da República, em 1º de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro com seu ministro Paulo Guedes tem destruído a economia brasileira, torrando nossas reservas cambiais e beneficiando somente os empresários.

Tem intenção de privatizar tudo no país. Cortou investimentos da educação pública e do Sistema Único de Saúde (SUS), atacou a cultura, os direitos humanos e todas as políticas de promoção de direitos das mulheres, dos negros, dos indígenas e dos LGBTs.

Estamos sentindo os efeitos perversos dessa política de desmonte do Estado nacional agora, com a pandemia do coronavírus. Como sempre fez, desde a campanha eleitoral, Bolsonaro vem desdenhando do bom senso e das pessoas que discordam de sua política em defesa dos interesses dos mais ricos, privatista e que entrega as riquezas naturais e o nosso patrimônio para estrangeiros, principalmente submetendo o Brasil aos interesses dos Estados Unidos.

Irresponsavelmente, Bolsonaro fez pouco caso da pandemia do coronavírus e seu governo demorou para tomar medidas de combate ao alastramento do novo vírus. Além da demora, suas propostas econômicas se mostram inócuas. A declaração de estado de calamidade pública não ajuda em nada o combate.

Além disso, disponibilizar R$ 200 por mês para as trabalhadoras e trabalhadores informais, que ficam sem renda nenhuma quando ficam sem trabalhar e ainda somente para aqueles que não recebam nenhum benefício do governo é tentar tapar o sol com a peneira. Ao mesmo tempo que planeja tirar impostos dos empresários, que faturam milhões ou até bilhões por ano. Quer jogar todo o peso da crise causada por suas políticas inóspitas nas costas da classe trabalhadora.

Assim como faz em relação à pandemia do coronavírus. Em vez de seguir os exemplos da China, da Coreia do Sul, da França e de outros países com o combate mais eficiente. Aliás, o governo francês isentou a população de pagamento de taxas de água, luz e gás.

Para as pessoas poderem permanecer em casa, seguindo orientação das autoridades sanitárias, o governo precisa isentar ao menos a população de baixa renda e os trabalhadores informais de pagar essas taxas. Ao mesmo tempo os governadores estaduais e os prefeitos e o governo federal precisam estudar como distribuir uma verba maior para as famílias mais pobres.

Os grandes e médios empresários também precisam colaborar permitindo que as trabalhadoras e trabalhadores permaneçam em casa recebendo seus salários. Essa história de decretar férias coletivas não é justo para quem trabalha, beneficiando os patrões, que dessa forma não estão fazendo sacrifício nenhum.

Ao que tudo indica, a população brasileira começa a acordar para os rumos errados que Bolsonaro, Paulo Guedes e Sergio Moro estão levando o país. Portanto, a hora é agora. Para o Brasil derrotar o coronavírus é preciso derrotar o projeto neoliberal e autoritário em marcha no país.

Francisca Rocha é secretária de Assuntos Educacionais e Culturais do Sindicato dos Professores de Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), secretária de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e dirigente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB-SP).

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