O Mundo e as eleições europeias

A partir desta quinta-feira (23) até domingo (26), realizam-se eleições para o Parlamento Europeu. Na ocasião Resistência publica artigo de um membro da direção do Partido Comunista Português situando estas eleições no quadro mundial

A poucos dias das eleições para o Parlamento Europeu, e sem prejuízo da questão central – a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País – importa olhar de relance para a evolução da situação internacional

Os últimos desenvolvimentos acentuam o quadro de grande instabilidade onde persistem vários perigos para os trabalhadores e povos de todo o Mundo. Demonstram igualmente que continua e desenvolver-se e até a acentuar-se um processo de rearrumação de forças a nível mundial com uma enorme repercussão em todo o globo, e ao qual o continente europeu não está, obviamente, imune, bem pelo contrário.

Como afirmamos muitas vezes, a eleição de um presidente norte-americano de extrema-direita não era a causa, mas sim uma consequência de um processo que já estava em curso e que tem as suas raízes no aprofundamento da crise estrutural do capitalismo e numa resposta das classes dominantes centrada no aumento da exploração, no militarismo, no intervencionismo e no aprofundamento do caráter reacionário e autoritário do poder político.

Donald Trump está a cumprir o papel de tentar, numa deriva ainda mais fascizante do poder político norte-americano, mais belicista e desrespeitadora do Direito Internacional, contrariar a tendência de declínio dos EUA, especialmente no plano econômico, e manter a todo o custo o seu domínio hegemônico imperialista, sobretudo em regiões chave.

É à luz destas tendências que se devem ler os mais recentes acontecimentos como as decisões da Administração norte-americana relativas à República Popular da China. Para lá da decisão de lançar mais uma “bomba” nas negociações comerciais, os EUA avançam numa linha de crescente confrontação com a RP China, seja na guerra tecnológica, com a proibição da Huawei, seja nas questões mais gerais como as recentes declarações que vêm ressuscitar a teoria da guerra de civilizações, identificando naquele país o grande inimigo estratégico.

Este elemento central da estratégia imperialista é inseparável dos acontecimentos em duas das regiões chave para o domínio hegemônico imperialista: América Latina e Oriente Médio. Na América Latina, onde a evolução da situação no Brasil demonstra bem quais os objetivos por detrás da eleição de Bolsonaro, prossegue a tentativa de golpe na Venezuela. Face à sucessão de fiascos, a extrema-direita venezuelana perde a vergonha e torna público o apelo formal aos EUA para desencadearem a agressão. Cuba é alvo de novas formas de intensificação do bloqueio com a ativação do capítulo III da Lei Helms-Burton.

No Oriente Médio os EUA decidem, depois de voltar a incendiar a situação na Palestina, elevar a fasquia das provocações ao Irã ao máximo, com um conjunto de ameaças, com a execução de operações de falsa bandeira e com o envio de dois porta-aviões e vários meios de combate para a região.

A realidade está a comprovar que a União Europeia não só não é um contraponto a esta estratégia dos EUA, como nos seus aspectos centrais a acompanha. As opções pelo militarismo e o crescimento da extrema-direita colocam grandes preocupações quanto ao papel da União Europeia. É por isso que é muito importante que estas eleições possam reforçar a luta por uma outra Europa e um outro mundo de paz, progresso e cooperação. Em Portugal isso significa votar CDU (1).

Por Ângelo Alves (*) no jornal Avante!

 

(*) Membro da Comissão Política do Partido Comunista Português

(1) Coligação Democrática Unitária, da qual faz parte o Partido Comunista Português

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