Sindicalistas rurais da CTB reafirmam seu compromisso com a unicidade

O secretário de Finanças da CTB, Vilson Luiz da Silva, e o secretário de Política Agrícola e Agrária, Sergio de Miranda, participaram nesta quarta-feira (29) da reunião Operativa da Central. Durante o encontro, ambos reafirmaram a defesa da unicidade sindical como um princípio do qual a CTB não abrirá mão jamais.

“A CTB nasce defendendo sindicatos com categorias fortes. E é por isso que defendemos a unicidade sindical”, afirma Vilson Luiz, que também é presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg). “A divisão nos enfraquece”, complementa o dirigente.

Durante a Operativa, os dois dirigentes fizeram um relato aos demais membros da Direção e seus assessores, explicando a discussão que atualmente mobiliza o sindicalismo rural do país: a possível instituição do pluralismo sindical no campo, com a divisão de representatividade entre trabalhadores assalariados e pequenos agricultores.

“A proposta que aparece agora de separar os assalariados e os pequenos agricultores quebra o principio da unicidade sindical. Se isso realmente vier à tona estamos antecipando a pluralidade sindical no país”, argumenta Sergio de Miranda, que também é tesoureiro da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS).

Para Vilson Luiz, o cenário que ora se discute, caso se torne realidade, terá apenas um setor penalizado: a classe trabalhadora. “Temo que isso se transforme numa briga política que penalizará apenas o lado mais fraco dessa correlação de forças. É uma grande preocupação”, pontua.

Falta de representatividade

Atualmente, essa pauta tem sido debatida no Conselho de Relações do Trabalho, no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Como até o momento nenhuma decisão concreta foi tomada, os dirigentes da CTB alertam: diversos sindicatos sem representatividade estão sendo criados pelo Brasil afora.

O secretário de Finanças da CTB dá como exemplo concreto uma situação que ocorre em seu estado, mais especificamente no chamado Triângulo Mineiro (região onde estão localizadas cidades como Uberaba, Uberlândia e Patrocínio, entre outras). Lá, por conta da grande concentração de usinas de álcool e açúcar, a criação de novos sindicatos tem sido uma prática recorrente entre os grandes latifundiários.

“Temos visto os usineiros criando seus sindicatos de fachada, apenas para atender seus próprios interesses, nunca o dos trabalhadores. Em Conquista, por exemplo, isso já acontece. No Sul de Minas também temos outros casos que merecem atenção”, destaca o dirigente da CTB.

Defesa da unicidade

Para combater essa ofensiva, sindicalistas da CTB marcaram uma audiência no próximo dia 4 de fevereiro, em Brasília, com o ministro do Trabalho, Manoel Dias. A ideia é expor a real situação que está ganhando força pelo interior do país, expondo os riscos que a pluralidade sindical pode trazer para a classe trabalhadora.

“Nossa proposta é realmente levar essa discussão para Brasília, quem sabe até por meio de uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff. Nós, enquanto dirigentes da CTB, temos esse compromisso com a unicidade e precisamos fazer o devido contraponto nessa questão, pois as forças que estão do outro lado são muito poderosas”, sustenta Vilson Luiz.

Portal CTB

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