Resolução Política da Direção Nacional Executiva da CTB

Reunida em videoconferência no dia 24 de julho de 2020, a Direção Nacional Executiva da CTB aprova a seguinte Resolução Política:

  1. A conjuntura mundial é marcada por crises simultâneas e gravíssimas. A pandemia da Covid-19 provoca centenas de milhares de mortes, a depressão econômica atinge a maior parte dos países e aumenta a instabilidade política no mundo. A disputa geopolítica se acirra, com o declínio da hegemonia dos EUA e a ascensão da China.
  2. O governo de Jair Bolsonaro subordina a política externa brasileira aos interesses do imperialismo americano e isola o Brasil da China, seu principal parceiro econômico, responsável por 76% do saldo da balança comercial brasileira. O governo, dessa forma, sacrifica a soberania nacional e prejudica os interesses econômicos do país.
  3. Internamente, o governo Bolsonaro tem grande responsabilidade pela tragédia sanitária do país, ao se omitir da coordenação do combate à pandemia e contrariar todas as medidas de prevenção orientadas pela Organização Mundial da Saúde. O saldo dramático é que o Brasil ocupa o segundo lugar no número de mortos com a Covid-19, com mais de 85 mil óbitos até o momento.
  4. Ao lado da crise sanitária, o país vê a economia afundar ainda mais. Alguns dados demonstram essa situação: 12,8 milhões de desempregados, 28,7 milhões no subemprego, 43% das famílias brasileiras sobrevivendo com o auxílio emergencial e mais de meio milhão de micro e pequenas empresas fechadas só a partir do período da pandemia.
  5. Alheio ao sofrimento do povo, o governo Bolsonaro e seu clã namoram com um estado autoritário e policial. Entra em confronto com o Congresso Nacional, com o STF, com os governadores e não respeita o estado de direito democrático. No plano econômico, busca aplicar uma agenda reacionária, comandada pelo seu ministro da Economia, que procura enquadrar o país na visão dogmática de ultraliberalismo.
  6. A luta dos trabalhadores e trabalhadoras, do povo e de todas as forças democráticas cresce e conquista vitórias importantes. No parlamento, destaque para a recente aprovação, na Câmara Federal, do novo Fundeb, a ampliação dos valores e do prazo de vigência do auxílio emergencial, inclusive com a incorporação dos agricultores familiares no rol dos beneficiários, a caducidade da MP 927/2020 e a redução de danos em outras medidas contrárias aos direitos da classe trabalhadora.
  7. Paralelamente, cresce um amplo movimento político e social de oposição ao governo. Dezenas de pedidos de impeachment já foram protocolados na Câmara. O Tribunal Superior Eleitoral discute a anulação das eleições pelo abuso das notícias falsas (“fake news”) e o STF investiga as ligações de Bolsonaro e seu núcleo familiar com milícias, agravadas com a prisão de Fabrício Queiroz. Isolado e vendo sua popularidade em cheque, Bolsonaro recua, busca compor uma base mínima no parlamento para evitar o impeachment e retrai em sua retórica golpista.
  8. Na atualidade, o Brasil vive um impasse político. O governo recua, mas mantém ainda apoio de uma parte da população. A oposição cresce, mas ainda não alcançou unidade e força suficientes para abreviar o mandato de Bolsonaro. Nestas circunstâncias, mais do que nunca é imperiosa a luta pela construção de uma ampla frente de combate ao governo de extrema-direita, premissa para salvar o Brasil do caos e abrir novas perspectivas para os trabalhadores e trabalhadoras. Ênfase deve ser dada para a reativação da economia, injetando dinheiro novo na economia, com expansão da base monetária, taxando grandes fortunas e outras medidas de redução dos ganhos abusivos do setor financeiro.
  9. Sem abrir mão dos princípios que nortearam a sua fundação, a CTB reafirma seu compromisso de lutar pelo fortalecimento do Fórum das Centrais, pugnar pela unidade com organizações, movimentos, personalidades democráticas e todos aqueles que não aceitam o desvario autoritário do governo Bolsonaro. Mesmo com as limitações da pandemia, a CTB participa da luta, usando as ferramentas digitais como meio de veicular suas posições, procura fazer articulações amplas com o Congresso Nacional, governadores, prefeitos e apoia todos os movimentos que respeitem os protocolos de segurança sanitária. Merece citação a firme atuação da CTB no 1º. de Maio Unitário e Virtual e na ação permanente para viabilizar sua agenda em defesa da vida, dos direitos da classe trabalhadora e da democracia.
  10. Neste segundo semestre, ao lado da agenda sindical, é fundamental que os dirigentes da CTB e das entidades filiadas se empenhem nas eleições municipais de novembro, elegendo prefeitos/as e vereadores/as comprometidos com a classe trabalhadora, a democracia e de oposição ao governo Bolsonaro. Nesta fase de resistência e acumulação de forças, as eleições serão um grande plebiscito de julgamento do desgoverno de extrema-direita. Devem merecer, portanto, a mais alta prioridade dos quadros e militantes da CTB!

Em defesa da vida, do emprego, da renda e da democracia! Fora Bolsonaro!

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