Redução dos juros é positiva, mas não basta

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu na noite desta quarta-feira, 29, cortar em 0,5% a taxa básica de juros (Selic), reduzindo-a para 7,5% ao ano. É a nona rodada de diminuição dos juros, iniciada no ano passado. A Selic já acumula uma queda de 5%, embora em termos reais ainda permaneça uma das mais elevadas do mundo.

É nítida a mudança na política monetária, há muito demandada pelos movimentos sociais. Os resultados concretos da nova orientação demonstram a falsidade dos argumentos brandidos pelas forças conservadoras que, com forte repercussão na mídia, alardeavam o descontrole da inflação para defender a manutenção dos juros estratosféricos.

Os fatos dão razão aos sindicalistas, bem como aos críticos da política macroeconômica, e sugerem que as ideias daqueles que a mídia elege como “analistas” e intérpretes autorizados do mercado financeiro não são mais do que o espelho dos interesses rentistas. Juros menores trazem uma série de benefícios para o povo e a economia nacional ao reduzir a escandalosa transferência de renda da sociedade para os banqueiros, estimular o consumo e os investimentos. Mas, é forçoso reconhecer que não basta.

O desempenho medíocre da produção no primeiro semestre deste ano sinaliza a necessidade de medidas mais audaciosas. Além de cobrar a continuidade da diminuição dos juros básicos e do chamado spread bancário (mantido em patamares intoleráveis), o movimento sindical reclama a mudança da política fiscal, com uma expressiva redução do superávit primário de forma a liberar espaço para a ampliação dos gastos e investimentos públicos.

São Paulo, 29 de agosto de 2012
Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

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