NOTA OFICIAL: Uma greve em defesa da soberania nacional

Os petroleiros estão em greve por tempo indeterminado. O movimento teve início no sábado (1º de fevereiro) com adesão de trabalhadores e trabalhadoras de 11 estados e 20 unidades operacionais do Sistema Petrobras. Embora ancorada na defesa do emprego e cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho, que tem força de lei mas é abusivamente ignorado pela direção neoliberal da empresa, a paralisação extrapola o mero corporativismo e vai ao encontro dos interesses maiores do povo brasileiro e da luta das forças democráticas e patrióticas.

Trata-se de uma greve em defesa da soberania nacional, contra o desmonte, a política de preços indexada ao dólar e a privatização fatiada da Petrobras que vem sendo levada a cabo desde o golpe de 2016, restaurador da nociva agenda neoliberal, e com maior agressividade pelo governo da extrema direita sob o comando do neofascista Jair Bolsonaro e o rentista Paulo Guedes.

Além de burlar o acordo negociado com os sindicatos e sacrificar o emprego de milhares de petroleiros, condenando-os ao desemprego, a política levada a cabo pelos dirigentes da estatal atentam contra os interesses nacionais e a economia popular, aceleram a desindustrialização e elevam a patamares intoleráveis os preços do gás de cozinha, gasolina e outros derivados do petróleo. Estas razões explicam as adesões crescentes ao movimento paredista, assim como as manifestações de solidariedade e apoio na sociedade.

Nesta segunda, terceiro dia de greve, ocorreram atos e acampamentos em diversas unidades da Petrobrás por todo o país e também na sede administrativa da empresa, no Rio de Janeiro. Ali, a Comissão de Negociação Permanente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) segue em vigília desde a sexta-feira (31) cobrando interlocução com a gestão da empresa para suspender as demissões na Fafen-PR e outras medidas unilaterais que descumprem o Acordo Coletivo de Trabalho.

A categoria não vai compactuar com a gradual destruição da maior empresa pública brasileira, criada no curso da histórica campanha “O petróleo é nosso”, por um governo hostil aos interesses maiores da nação e do povo brasileiro. A greve dos petroleiros revela uma classe trabalhadora na vanguarda da luta em defesa da soberania nacional, que demanda ampla unidade do movimento sindical e do conjunto das forças progressistas.

A CTB traduz a consciência e o sentimento mais avançado da nossa classe e do nosso povo ao reiterar seu ativo apoio e solidariedade à batalha desta combativa e corajosa categoria, que está intimamente associado à defesa dos interesses nacionais. Vivas à Petrobras e aos petroleiros. Abaixo o entreguismo do governo Bolsonaro.

São Paulo, 3 de fevereiro de 2020

Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

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